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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Harold Pinter


Um dos meus dramaturgos preferidos, juntamente com Beckett, Mamet, Sheppard, Horovitz entre poucos mais. Foi reconhecido o seu talento em vida, tendo-lhe sido atribuído o prémio Nobel em 2005. Morreu no dia 24 de Dezembro, deixou as peças cheios de gritos de alerta pela falta de dignidade da vida humana.
Um pequeno excerto do discurso de Pinter na Academia Sueca, onde o dramaturgo chamou terrorista ao governo de Bush e Blair. Pode ser ouvido na totalidade aqui. http://nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/2005/pinter-lecture-e.html .
"The invasion of Iraq was a bandit act, an act of blatant state terrorism, demonstrating absolute contempt for the concept of international law. The invasion was an arbitrary military action inspired by a series of lies upon lies and gross manipulation of the media and therefore of the public; an act intended to consolidate American military and economic control of the Middle East masquerading - as a last resort - all other justifications having failed to justify themselves - as liberation. A formidable assertion of military force responsible for the death and mutilation of thousands and thousands of innocent people."

quinta-feira, setembro 07, 2006

Morto no deserto



Não se consegue ver mas eu digo o que está ali escrito: 07/09/2006, na categoria Teatro no Porto, não foram encontradas ocorrências que satisfaçam a sua pesquisa. Finalmente a politica do nosso presidente de câmara está a dar frutos.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Diálogo

O que fazias tu para mudar o mundo?

Sei lá, mas gostava de fazer alguma coisa.

Como por exemplo? E não me venhas com a ecologia ou a globalização, estou cansado de mais para causas perdidas.

Não deixa de ser estranho. Conseguimos imaginar ideias abstractas como a ecologia e a globalização e marcar posições claramente definidas, mas somos incapazes de por a mão a um desesperado na rua, um mendigo triste ou um velhote gasto e o principal, nunca tocamos em alguém que não faça parte das nossas relações, somos incapazes de tocar num estranho. Temos medo do contacto?

Claro que sim e é normal. Temos medo da porcaria e das doenças.

Podíamos pelo menos sorrir quando nos apetecesse?

Sorrir? Nunca sabes quem tens pela frente. Não vês as notícias?

Recebemos afectos por ondas magnéticas e circuitos integrados.

Cala-te lá com essas divagações. Afinal o que fazia para mudar o mundo?

sexta-feira, novembro 04, 2005

Drag Queen

Descobri que a palavra Drag, de Drag Queen, tem origem em indicações que Shakespeare fazia aos actores. Eram as iniciais para Dress As a Girl, numa altura em não era permitido às mulheres representarem.

segunda-feira, setembro 12, 2005

DIRQUE - "Novo Circo" em Vila do Conde


CORDA-BAMBA apresenta

DIRQUE - “Novo-Circo” em Vila do Conde

Uma mistura bem doseada de técnicas de circo de alto nível, com improvisação e humor

No contexto do desenvolvimento das artes do circo, foi recentemente criada a associação “Corda-Bamba – Centro para as Artes do Circo” cujo objectivo é desenvolver um trabalho de formação e criação em torno do circo contemporâneo.
Da intervenção deste projecto, resultarão workshops para jovens e a apresentação de espectáculos que irão fortalecer e projectar as dinâmicas culturais locais e nacionais em torno destas formas artísticas. Como primeira iniciativa e com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde a “Corda-Bamba” apresenta o artista belga Dirk Boxelaere.
Após uma formação intensiva nas escolas de circo de Bruxelas e de Montreal, depois de ter viajado pelo mundo inteiro com o duo cómico “To Be 2” Dirk Boxolaere, mais conhecido por “Dirque” apresenta dia 12 nas Alamedas dos Descobrimentos e dia 13 no Parque Polis – João Paulo II, às 22h00, o seu novo trabalho Tai-Toi et Jongle!.
Sobre uma pista redonda, Dirk impressiona com o seu humor inenarrável e com acrobacia e jogos de malabarismo originais. Através das suas intervenções espontâneas e de uma enorme cumplicidade com o público, Dirk “despe-se” para oferecer um espectáculo surpreendente.
Para crianças e adultos.
A não perder

sábado, junho 25, 2005

Barco


Entrei em contacto com a obra de Baltazar Lopes em 2001. O objectivo era fazer uma adaptação em teatro, para o grupo Burbur, do seu romance “Chiquinho”. Li por essa altura alguns contos de Baltazar Lopes para me ajudar a situar a acção nas ilhas cabo-verdianas e houve um que me ficou para sempre na memória. Era a história de um velhote que no fim da vida, construíra um barco para viajar entre as ilhas, mas que depois de estar pronto, descobria que não tinha maneira de o tirar do jardim onde o construíra. Um barco encalhado nas traseiras de uma casa, sem nunca conhecer o mar, sem fazer aquilo para o qual tinha sido destinado.

Por alturas em que trabalhava nessa adaptação, mudei para uma casa um pouco maior. A casa tinha um jardim e estava colada a outra onde ainda vive o Sr. Serafim. Oitenta e cinco anos de marceneiro, fotografo, inventor, marinheiro, agricultor. Quando de bom humor, as recordações, piedosas, voltam à sua cabeça como uma longinqua lembrança, então fala sobre como adora velejar e de ter sido um dos primeiros fotógrafos a fazer casamentos no Porto. Foi também das primeiras pessoas a vender móveis a prestações, móveis que ele mesmo fazia. Um dia falou-me do catamaran que tinha construído. O barco, que se desmontava até caber no carro, já tinha navegado por alguns rios da Europa e, o seu maior feito, percorrido o rio douro desde a fronteira de Espanha até à foz; viagem que o Sr. Serafim ainda quer voltar a fazer.

A semana passada notei um mastro a sair da vegetação no fundo do jardim. Perguntei ao Sr. Serafim que logo me levou a ver o catamaran montado. Para passar o tempo tinha juntado as peças do velho barco. Falou das aventuras partilhadas e a meu pedido, montamos a vela vermelha e branca. Apesar daquele catamaran ser desmontável, a minha imaginação levou-me a Cabo-verde, onde o velhote por fim consegue trazer o mar até ao jardim.