Três copos no balcão dançam,
A balada dos perdidos,
Batons vermelhos no escuro
Abrem-se em sorrisos duros.
Já fomos muito mais
Heróicos nas batalhas travadas,
Armas com cravos exportávamos,
Gente era gente não uma patente.
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sexta-feira, abril 07, 2006
terça-feira, abril 04, 2006
Ouço um autocarro na noite
Ouço um autocarro na noite,
Ofegante na desacelaração em desabafo,
Lambe a curva apertada
Antes da acelaração desesperada,
Rasgando passados esquecendo promessas,
Para a frente é que é estrada.
Quem levará aquele carro,
A esta hora da madrugada?
Que Porto procuram os viajantes?
Preferem crescer embriegados
Dos crescidos adultos mutilados,
Ou presos no cansaço de um coração tardio?
Decidi, quero entrar,
Não espero nem mais um segundo,
Parem o mundo que quero meter o pé,
E como um intruso participar,
Nesta farsa burlesca, deveras dantesca.
Coluna direita, olhos em frente.
Ofegante na desacelaração em desabafo,
Lambe a curva apertada
Antes da acelaração desesperada,
Rasgando passados esquecendo promessas,
Para a frente é que é estrada.
Quem levará aquele carro,
A esta hora da madrugada?
Que Porto procuram os viajantes?
Preferem crescer embriegados
Dos crescidos adultos mutilados,
Ou presos no cansaço de um coração tardio?
Decidi, quero entrar,
Não espero nem mais um segundo,
Parem o mundo que quero meter o pé,
E como um intruso participar,
Nesta farsa burlesca, deveras dantesca.
Coluna direita, olhos em frente.
segunda-feira, abril 03, 2006
Canção de amigo
Meu amigo não dispensa
Três dedos de bilhar,
Uma cerveja fresca,
Na esplanada junto ao mar.
Não conta as estrelas
Mas tem jeito de sonhador,
Um sorriso franco,
Que se confunde com Amor.
Não entra em discussões
Que sabe vai perder,
Prefere a mulher fresca
Que passa a correr.
Tem um coração ingénuo
Impossível de mal tratar,
Mas se o caldo se entorna,
Mete o punho até estalar.
Gostava um dia de ser
Alguém forte como ele,
A vida não lhe mete medo
Seja qual for o enredo.
O sorriso no canto da boca
De quem nada pode perder,
Porque cresceu sem nada
E tudo parece ter.
Três dedos de bilhar,
Uma cerveja fresca,
Na esplanada junto ao mar.
Não conta as estrelas
Mas tem jeito de sonhador,
Um sorriso franco,
Que se confunde com Amor.
Não entra em discussões
Que sabe vai perder,
Prefere a mulher fresca
Que passa a correr.
Tem um coração ingénuo
Impossível de mal tratar,
Mas se o caldo se entorna,
Mete o punho até estalar.
Gostava um dia de ser
Alguém forte como ele,
A vida não lhe mete medo
Seja qual for o enredo.
O sorriso no canto da boca
De quem nada pode perder,
Porque cresceu sem nada
E tudo parece ter.
sexta-feira, março 24, 2006
Noite
Trinca a minha alma
Crua mal passada,
Lambe três dedos de conversa
Sobremesa endiabrada.
Cheira o meu poro
Noites mal digeridas,
Rastos de braços na madeira
Pedradas nas costas erguidas.
Bom natal companheiro
Sei como irmãos somos
Na escura solidão.
Boa vida amante perdida
Sei como carne rasgada fomos
Entre ossos aflitos.
Crua mal passada,
Lambe três dedos de conversa
Sobremesa endiabrada.
Cheira o meu poro
Noites mal digeridas,
Rastos de braços na madeira
Pedradas nas costas erguidas.
Bom natal companheiro
Sei como irmãos somos
Na escura solidão.
Boa vida amante perdida
Sei como carne rasgada fomos
Entre ossos aflitos.
quinta-feira, março 23, 2006
Casa de partida (letra de canção)
Parem o comboio na próxima estação,
Só quero estar longe daquela que perdi,
Não interessa se não há viva alma por aqui,
Só quero sítio seguro para me despedir de ti.
Enfiado na garrafa com a alma ferida,
Vejo um homem de saída num espelho quebrado,
Começo então o caminho da casa da partida,
No dia em que te vi e jurei ter-te amado.
Só quero estar longe daquela que perdi,
Não interessa se não há viva alma por aqui,
Só quero sítio seguro para me despedir de ti.
Enfiado na garrafa com a alma ferida,
Vejo um homem de saída num espelho quebrado,
Começo então o caminho da casa da partida,
No dia em que te vi e jurei ter-te amado.
quarta-feira, março 08, 2006
De como gosto...
De como gosto de viver do outro lado do rio,
De levar a minha filha pela marginal,
Quando os galos ensaiam o primeiro cócóró,
Um roncar gasto e aflito de anos de labor.
De como gosto de ver o Porto,
Espelhado nas águas do Douro,
É verdade Leonor, as pontes reparam em ti
Como se fosses a primeira de todo o sempre.
De como gosto da D.Luis da D.Maria da infernal Arrábida.
Das brilhantes novas pontes.
Contraste escuro da minha alma.
Isto é como gosto,
De Ti de Mim de Nós, sim, de todos Nós,
Isto é como gosto do Porto de abrigo do nosso Coração.
De levar a minha filha pela marginal,
Quando os galos ensaiam o primeiro cócóró,
Um roncar gasto e aflito de anos de labor.
De como gosto de ver o Porto,
Espelhado nas águas do Douro,
É verdade Leonor, as pontes reparam em ti
Como se fosses a primeira de todo o sempre.
De como gosto da D.Luis da D.Maria da infernal Arrábida.
Das brilhantes novas pontes.
Contraste escuro da minha alma.
Isto é como gosto,
De Ti de Mim de Nós, sim, de todos Nós,
Isto é como gosto do Porto de abrigo do nosso Coração.
domingo, março 05, 2006
Instante
Aquele instante
Quando o riso é ainda promessa,
Ateando pequenas faíscas
Nos teus lábios,
É nessa milésima de tempo,
Que mergulho cego
Em mil fardos de algodão.
Quando o riso é ainda promessa,
Ateando pequenas faíscas
Nos teus lábios,
É nessa milésima de tempo,
Que mergulho cego
Em mil fardos de algodão.
sábado, outubro 01, 2005
Eu Clandestino
Vivo no maior condomínio privado do mundo
Neste mar imenso de prosperidade e riqueza,
Mas não suporto o deformado rosto no espelho,
Que é o da minha própria avareza.
Nas fronteiras, antes aventura,
Nasce agora o arame farpado o betão,
Onde um cartaz pintado de fresco anuncia
Não há lugar para mais nenhum.
Não nasci clandestino
Porque quando a roleta girou,
Para este lado me lançou.
Do outro lado espreitam,
Olhos de esperança e fome,
Milhões de rostos sem nome.
Neste mar imenso de prosperidade e riqueza,
Mas não suporto o deformado rosto no espelho,
Que é o da minha própria avareza.
Nas fronteiras, antes aventura,
Nasce agora o arame farpado o betão,
Onde um cartaz pintado de fresco anuncia
Não há lugar para mais nenhum.
Não nasci clandestino
Porque quando a roleta girou,
Para este lado me lançou.
Do outro lado espreitam,
Olhos de esperança e fome,
Milhões de rostos sem nome.
sexta-feira, setembro 16, 2005
Always
Running away,
Running away,
Running away,
Like I normally do.
Running away,
Running away,
Running away,
Till I find you.
When I get scar,
And I get scar,
Hell screaming for me,
You’re always there.
Always there,
When my ghost came around,
I feel like a good man,
And I don’t get scar.
Running away,
Running away,
Like I normally do.
Running away,
Running away,
Running away,
Till I find you.
When I get scar,
And I get scar,
Hell screaming for me,
You’re always there.
Always there,
When my ghost came around,
I feel like a good man,
And I don’t get scar.
sexta-feira, agosto 05, 2005
Os teus beijos
Os teus beijos ondas do mar
Os teus beijos ferro em brasa
Os teus beijos sufocados
Os teus beijos bom dia.
Os teus beijos espadas
Os teus beijos água fresca
Os teus beijos vorazes
Os teus beijos boa tarde.
Os teus beijos folhas de eucalipto
Os teus beijos montanha de neve
Os teus beijos relâmpago
Os teus beijos boa noite.
Os teus beijos ferro em brasa
Os teus beijos sufocados
Os teus beijos bom dia.
Os teus beijos espadas
Os teus beijos água fresca
Os teus beijos vorazes
Os teus beijos boa tarde.
Os teus beijos folhas de eucalipto
Os teus beijos montanha de neve
Os teus beijos relâmpago
Os teus beijos boa noite.
terça-feira, agosto 02, 2005
Drunk
I think I´m getting drunk
No love can save me now
I just want a last beer honey
To go away from this crazy town
I must be dreaming
A happy end
I´m to drunken baby
Please be my friend
And buy me a last bottle
I don´t have no money left
Please, please, please the last one
I promise I don´t chase you anymore
I must be dreaming
With a happy end
I´m to drunken baby
Please be my friend
I got bad liver
Right one
I got bad brain
Come on
I´m a loser baby
Right one
No love can save me now
I just want a last beer honey
To go away from this crazy town
I must be dreaming
A happy end
I´m to drunken baby
Please be my friend
And buy me a last bottle
I don´t have no money left
Please, please, please the last one
I promise I don´t chase you anymore
I must be dreaming
With a happy end
I´m to drunken baby
Please be my friend
I got bad liver
Right one
I got bad brain
Come on
I´m a loser baby
Right one
quinta-feira, junho 23, 2005
Noite de S.João
Da Boavista às Fontainhas
Ó meu rico S. João,
Faz que não faltem as sardinhas
Enche-nos de satisfação.
Nestes tempos de crise,
Que já não temos recuperação,
Dai-nos ao menos uns trocos
Para comprar um balão.
E se estiveres de bom humor
Nesta noite cheia de vida
Não levas a mal mais um favor
Enche as ruas de alegria.
Ó meu rico S. João,
Faz que não faltem as sardinhas
Enche-nos de satisfação.
Nestes tempos de crise,
Que já não temos recuperação,
Dai-nos ao menos uns trocos
Para comprar um balão.
E se estiveres de bom humor
Nesta noite cheia de vida
Não levas a mal mais um favor
Enche as ruas de alegria.
terça-feira, junho 21, 2005
Anjos de Verão

Carícias antigas caíram no meu sono,
Aconcheguei-as junto ao peito
Como quem mata um cabrito.
Amei em silêncio e a ti também.
Carroças de bois, terra aguilhotinada,
Lâminas de pinheiros em fardos de ar.
Tive medo por mim e por todos nós,
Com os pés presos em blocos de cimento.
Pensei ouvir teu clamor no orvalho,
Mas era o verão a trepar pela calha.
Inclinado no teu dorso senti-o
Forçar as cortinas do nosso olhar.
sábado, junho 18, 2005
Fraco poeta, louco de Amor
segunda-feira, junho 13, 2005
Frente a Frente
Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!
Eugénio de Andrade (1923-2005)
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!
Eugénio de Andrade (1923-2005)
quinta-feira, junho 09, 2005
[xi]
"fundemos uma revista
que se lixe a literatura
queremos uma coisa com sangue na guelra
piolhosa com pura
fedendo com absoluta
e destemidamente obscena
mas deveras limpa
estão a ver
não estraguemos a coisa
façamos a coisa a sério
qualquer coisa de autêntico e delirante
percebem qualquer coisa de genuíno como uma marca
numa retrete
agraciada com gana e esganada
com graça
apertem os tomates e abram a cara"
e.e.cummings (1894-1962)
que se lixe a literatura
queremos uma coisa com sangue na guelra
piolhosa com pura
fedendo com absoluta
e destemidamente obscena
mas deveras limpa
estão a ver
não estraguemos a coisa
façamos a coisa a sério
qualquer coisa de autêntico e delirante
percebem qualquer coisa de genuíno como uma marca
numa retrete
agraciada com gana e esganada
com graça
apertem os tomates e abram a cara"
e.e.cummings (1894-1962)
segunda-feira, maio 30, 2005
Berço
Foi o rio que me fez voltar,
Confesso agora e nunca mais
Encolhido e lamacento.
Não o mar aberto e azul
Imaculada asa de gaivota,
Mas a tainha suja do cais.
Obrigas ao regresso,
Cidade escura e rabugenta,
Escuridão do meu sótão,
Mil curvas sem céu.
Sem ti sou carne e osso
Sem interior sem paixão.
Nasceste vou morrendo,
Mudei vais erguendo,
Amanhã não suporto,
A mão dada em lento brando.
Vou partir outra vez,
Embalado
No granito dos teus cabelos.
Confesso que vou regressar.
Confesso agora e nunca mais
Encolhido e lamacento.
Não o mar aberto e azul
Imaculada asa de gaivota,
Mas a tainha suja do cais.
Obrigas ao regresso,
Cidade escura e rabugenta,
Escuridão do meu sótão,
Mil curvas sem céu.
Sem ti sou carne e osso
Sem interior sem paixão.
Nasceste vou morrendo,
Mudei vais erguendo,
Amanhã não suporto,
A mão dada em lento brando.
Vou partir outra vez,
Embalado
No granito dos teus cabelos.
Confesso que vou regressar.
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