És para mim um lobo negro que corre entre ervas altas olhos vermelhos do inferno que sentes e os dentes, reluzentes, no branco da lua cheia. Corres atrás de mim com uma fome canina perseguindo na bruma, na tumba, rumba. Finalmente alcanças-me e tudo que fazes é lamber-me as mãos, como um rafeiro abandonado, enfadado, regalado, rebolas a meus pés.
terça-feira, julho 11, 2006
quarta-feira, julho 05, 2006
Estou triste é certo, mas não assim tão triste
"Uma das coisas de que me ocupo neste livro, e que, aliás, venho perseguindo desde sempre, é a questão da identidade. (...) A grande possibilidade de sermos felizes é poder construir e reconstruir identidades múltiplas ao longo da vida"
MIA COUTO "Jornal de Letras" de 10 de Maio.
MIA COUTO "Jornal de Letras" de 10 de Maio.
sábado, junho 10, 2006
Sexta
Este mundo não é nosso,
Eu sei irmão abraço,
Agarra-me nesta injecção que nos dão,
A cura da nossa inquietação.
Estão fartos os meus irmãos,
Nossa loucura não é a deles,
Corrupio, devaneio, aguerrido,
Não são flores não,
É só vil,
Porcas folhas de papel
Tua paixão queremos paixão,
A carne solta do corpo
Amor a desbotar rebentar.
Estão fartos meus irmãos,
Do vil como eu.
Eu farto estarei também.
Sempre em vós respirarei.
Aconchego.
Sempre.
Vos procurareis.
Eu sei irmão abraço,
Agarra-me nesta injecção que nos dão,
A cura da nossa inquietação.
Estão fartos os meus irmãos,
Nossa loucura não é a deles,
Corrupio, devaneio, aguerrido,
Não são flores não,
É só vil,
Porcas folhas de papel
Tua paixão queremos paixão,
A carne solta do corpo
Amor a desbotar rebentar.
Estão fartos meus irmãos,
Do vil como eu.
Eu farto estarei também.
Sempre em vós respirarei.
Aconchego.
Sempre.
Vos procurareis.
quarta-feira, maio 31, 2006
Um Mal Menor
Tudo começou por um insignificante murmúrio, um pequeno zumbido ruminando na testa. Depois passou para tonturas e por fim o desmaio que culminou na passagem pelo hospital. “Tem pouca glicose, precisa descansar, as tensões muito baixas, análises a isto e àquilo”, tudo misturado com conselhos médicos e olhares para os ponteiros, disfarçados do relógio. Andam no ar, as palavras como roldanas formando perfeitos e científicos mecanismos. Eu muito longe dali, a brincar com a Joana na varanda da minha avó, soprando bolas de sabão ao vento. “Mais açúcar, precisa de mais açúcar para equilibrar o organismo”. Se lhe explicasse o que sentia encolhia os ombros, mesmo assim, abriria o grande livro das doenças e desequilíbrios gerais para nada encontrar. “ Para o seu mal não existe cura, caro amigo”, diria resignado. ”Mas tenho um médico meu amigo que estuda casos assim...”, e pousaria na minha mão um cartão dourado. Obrigado vou indo, já me chega a vizinha do lado, e a gata com cio, largando gemidos do terceiro andar. Já me chega a chuva, a merda da chuva corroendo os passeios encharcando as roupas enegrecendo o coração, sim senhor doutor, a porca da chuva que teima em não amainar por mais que eu dance em círculos. É aqui que volto a Joana, debruçada na varanda, a soprar ao vento grandes e redondos balões de sabão.
sábado, maio 27, 2006
Ainda sou do tempo...
segunda-feira, maio 22, 2006
...e passou um ano.
Este blog faz hoje um ano. Nesta parede que é a minha vida, muitos amigos espreitaram pelo buraco e por aqui andaram e comentaram. Esses amigos estão todos aqui ao lado, onde espreito também. Comecei com um conto chamado Redenção, sem saber que a redenção foi o verdadeiro móbil deste blog, este despejar de coisas por vezes inúteis que nos sobrecarregam a alma. Desde de 22 de Maio do ano passado, muitas coisas aconteceram. Tive uma filha, casei, tive desempregado, desarranjei emprego e voltei a desarranjar. Mudei de casa, comprei uma casa. Sofri como em todos os anos mas sorri muito também, que a vida mais não é do que momentos roubados à rotina. Nestes últimos dois meses pouco tempo aqui passei e nem para dar uma espreitadela aos amigos arranjo um minuto. Hoje saio de casa às 8 da manhã e só volto às 8 da noite. Por aqui me vou arrastando mesmo assim. Comecei um novo blog, onossocalao.blogspot.com, onde rapidamente coloco algum calão que coleccionei ao longo dos anos e pouco mais tempo me sobra. Mas por cá vou continuar a andar com regularidade indefinida.
Bem Ajam vizinhos!
Bem Ajam vizinhos!
terça-feira, maio 16, 2006
Incêndios florestais
Os centros comerciais são os eucaliptos do urbanismo, onde são implantados secam tudo à volta.
sábado, maio 06, 2006
segunda-feira, maio 01, 2006
Leituras 10

"O que teria acontecido nos EUA e no mundo se o célebre aviador de ideias anti-semitas, Charles Lindbergh, se tivesse apresentado às eleições em 1940 e tivesse derrotado Franklin Roosevelt?"
O livro é muito bom, todos os Philip Roth são aliás muito bons. Apesar de não ser um romance como "A Mancha Humana", inteiramente centrado em questões individuais, "A Conspiração" é sobretudo um livro sobre a comunidade judaica nos EUA antes da segunda grande guerra. O narrador é o filho mais novo de uma família judaica que encarna a comunidade em todas as facetas.
Apesar da ficção, notei ainda a omissão a todas as outras raças dos EUA que foram, com ou sem Lindbergh, oprimidas nesses anos.
Etiquetas:
Escritores,
Literatura,
philip roth
sábado, abril 29, 2006
Canções 9
PINK FLOYD
Nobody Home
I've got a little black book with my poems in.
Nobody Home
I've got a little black book with my poems in.
Got a bag with a toothbrush and a comb in.
When I'm a good dog, they sometimes throw me a bone in.
I got elastic bands keepin my shoes on.
Got those swollen hand blues.
Got thirteen channels of shit on the T.V. to choose from.
I've got electric light.And I've got second sight.
And amazing powers of observation.
And that is how I know
When I try to get through
On the telephone to you
There'll be nobody home.
I've got the obligatory Hendrix perm.
And the inevitable pinhole burns
All down the front of my favorite satin shirt.
I've got nicotine stains on my fingers.
I've got a silver spoon on a chain.
I've got a grand piano to prop up my mortal remains.
I've got wild staring eyes.
And I've got a strong urge to fly.
But I got nowhere to fly to.
Ooooh, Babe when I pick up the phone
There's still nobody home.
There's still nobody home.
I've got a pair of Gohills bootsand I got fading roots.
Volto sempre ao Roger Waters quando me sinto assim...
sexta-feira, abril 28, 2006
Poema
Ela entrou com embaraço, tentou sorrir, e perguntou tristemente - se eu a reconhecia?
O aspecto carnavalesco lhe vinha menos do frangalho de fantasia do que do seu ar de extrema penúria. Fez por parecer alegre. Mas o sorriso se lhe transmudou em ricto amargo. E os olhos ficaram baços, como duas poças de água suja... Então, para cortar o soluço que advinhei subindo de sua garganta, puxei-a para ao pé de mim e, com doçura:
- Tu és a minha esperança de felicidade e cada dia que passa eu te quero mais, com perdida volúpia, com desesperação e angústia...
O aspecto carnavalesco lhe vinha menos do frangalho de fantasia do que do seu ar de extrema penúria. Fez por parecer alegre. Mas o sorriso se lhe transmudou em ricto amargo. E os olhos ficaram baços, como duas poças de água suja... Então, para cortar o soluço que advinhei subindo de sua garganta, puxei-a para ao pé de mim e, com doçura:
- Tu és a minha esperança de felicidade e cada dia que passa eu te quero mais, com perdida volúpia, com desesperação e angústia...
Manuel Bandeira (1886 - 1968)
domingo, abril 23, 2006
A minha cidade campeã.
A minha cidade está em ebulição. Ouço buzinas no meu jardim, perto, longe. Um todo de buzinas como um zumbido. O Porto é campeão, o meu clube, a minha cidade. Não fui para a baixa, tenho uma filhota que ainda não entende nada de bola e por mim pouco vai ficar a entender, desde que seja do FCP. Não desejo mal aos meus adversários mas no ano passado custou-me ouvir umas buzinadelas esporádicas na rua, é como se o meu vizinho ficasse com a promoção no emprego e viesse festejar para a porta da minha casa.
Lembro-me quando o meu irmão tinha 13 anos e numa noite de S.João, perguntou inocente ao meu pai: “Este ano não ouve aquela festa antes do S.João?” A festa era o Porto campeão, foi o Boavista e bem aja também. A cidade também vibrou. Viva a minha cidade campeã!
Lembro-me quando o meu irmão tinha 13 anos e numa noite de S.João, perguntou inocente ao meu pai: “Este ano não ouve aquela festa antes do S.João?” A festa era o Porto campeão, foi o Boavista e bem aja também. A cidade também vibrou. Viva a minha cidade campeã!
sexta-feira, abril 21, 2006
Novo blog
o blog onossocalao.blogspot.com é uma aventura falada. Tudo que dizemos mas que não vem no diccionário, às vezes até vem. É a aventura que decidi iniciar em paralelo com o buraco. Lembram-se de alguma expressão curiosa?
segunda-feira, abril 17, 2006
Porto
quinta-feira, abril 13, 2006
Fumar Mata
Acabemos com o fumo nos locais de trabalho. Já agora acabemos com a imbecibilidade humana também, acabemos com a poluição sonora que é ouvir algumas pessoas falar e acabemos também, com as roupas pindéricas e penteados desastrosos que por certo tiram anos de vida a muito gente incauta que olha sem querer, acabemos com o mau hálito do vizinho da secretária ao lado e acabemos de vez com os politícos, juizes embargadores e árbitros de futebol. A Isabel não sei quê, podia também desaparecer, da televisão. Acabemos com os condutores de domingo, anos de vida nos são tirados por essa espécie perfeccionista e piquinhas. Acabemos com as multas. Porra é tão fácil, afundamos o país, façamos dos castigos corporais lei, batiamos nas crianças sem distinção e carimbar isso noutra lei, acabemos com os bons pais de família porque é também de lei e reconquistemos tudo outra vez. Acabemos com desabafos assim mal escritos e desaguemos para outro parágrafo antes que alguém acabe comigo.
quarta-feira, abril 12, 2006
sexta-feira, abril 07, 2006
Os copos dançam
Três copos no balcão dançam,
A balada dos perdidos,
Batons vermelhos no escuro
Abrem-se em sorrisos duros.
Já fomos muito mais
Heróicos nas batalhas travadas,
Armas com cravos exportávamos,
Gente era gente não uma patente.
A balada dos perdidos,
Batons vermelhos no escuro
Abrem-se em sorrisos duros.
Já fomos muito mais
Heróicos nas batalhas travadas,
Armas com cravos exportávamos,
Gente era gente não uma patente.
terça-feira, abril 04, 2006
Ouço um autocarro na noite
Ouço um autocarro na noite,
Ofegante na desacelaração em desabafo,
Lambe a curva apertada
Antes da acelaração desesperada,
Rasgando passados esquecendo promessas,
Para a frente é que é estrada.
Quem levará aquele carro,
A esta hora da madrugada?
Que Porto procuram os viajantes?
Preferem crescer embriegados
Dos crescidos adultos mutilados,
Ou presos no cansaço de um coração tardio?
Decidi, quero entrar,
Não espero nem mais um segundo,
Parem o mundo que quero meter o pé,
E como um intruso participar,
Nesta farsa burlesca, deveras dantesca.
Coluna direita, olhos em frente.
Ofegante na desacelaração em desabafo,
Lambe a curva apertada
Antes da acelaração desesperada,
Rasgando passados esquecendo promessas,
Para a frente é que é estrada.
Quem levará aquele carro,
A esta hora da madrugada?
Que Porto procuram os viajantes?
Preferem crescer embriegados
Dos crescidos adultos mutilados,
Ou presos no cansaço de um coração tardio?
Decidi, quero entrar,
Não espero nem mais um segundo,
Parem o mundo que quero meter o pé,
E como um intruso participar,
Nesta farsa burlesca, deveras dantesca.
Coluna direita, olhos em frente.
segunda-feira, abril 03, 2006
Canção de amigo
Meu amigo não dispensa
Três dedos de bilhar,
Uma cerveja fresca,
Na esplanada junto ao mar.
Não conta as estrelas
Mas tem jeito de sonhador,
Um sorriso franco,
Que se confunde com Amor.
Não entra em discussões
Que sabe vai perder,
Prefere a mulher fresca
Que passa a correr.
Tem um coração ingénuo
Impossível de mal tratar,
Mas se o caldo se entorna,
Mete o punho até estalar.
Gostava um dia de ser
Alguém forte como ele,
A vida não lhe mete medo
Seja qual for o enredo.
O sorriso no canto da boca
De quem nada pode perder,
Porque cresceu sem nada
E tudo parece ter.
Três dedos de bilhar,
Uma cerveja fresca,
Na esplanada junto ao mar.
Não conta as estrelas
Mas tem jeito de sonhador,
Um sorriso franco,
Que se confunde com Amor.
Não entra em discussões
Que sabe vai perder,
Prefere a mulher fresca
Que passa a correr.
Tem um coração ingénuo
Impossível de mal tratar,
Mas se o caldo se entorna,
Mete o punho até estalar.
Gostava um dia de ser
Alguém forte como ele,
A vida não lhe mete medo
Seja qual for o enredo.
O sorriso no canto da boca
De quem nada pode perder,
Porque cresceu sem nada
E tudo parece ter.
domingo, abril 02, 2006
Subscrever:
Mensagens (Atom)





