quinta-feira, abril 10, 2008

10 canções - parte 8/10




Tom Waits - I hope that i dont fall in love with you

Tom Waits! Que doce mistério! Tom Waits canta a vida, toda a vida, todos os pormenores de todas as vidas e quando assim é, um artista pode realmente ser chamado de artista, mas principalmente de Homem. Se eu conseguisse compor duas músicas de qualquer álbum dele, era um homem feliz com a arte e com o desejo que todos temos em alguma parte da nossa vida em expressarmos a nossa criatividade. Que estranha forma de vida, de expressão, de sentimento puro de vida. A música de Tom Waits é a música dos falhados, dos que se perderam na vida e no amor, mas talvez dizer isto seja redutor para o que aprendi nas suas letras. Quem canta a vida e morte nada teme, de nada tem medo. Para mim toda a música do século XX é representada por Tom Waits, numa altura ou outra da sua longa carreira. Primeiro estranha-se depois entranha-se como me disse alguém. Penso que é o cantor que mais fez pela música popular no século XX. Anos noventa, bem medidos! Podiam ser quase todas as músicas mas escolhi esta, do primeiro álbum (Closing Time, 1973), tinha eu um anito.

sábado, abril 05, 2008

Tri-Campeonato



Amanhã lá estarei no Dragão, com seis pontos ou não. Custa engolir a treta dos pontos vinda de uma justiça com ânsia de vingança. Custa engolir coisas como o que ouvi um "comentador" dizer na televisão, que seis pontos não compensam vinte anos. Quem não reconhece o mérito do FCP ao longo destes vintes anos não é "comentador", mas sim um escroque revoltado. Vamos para o TRI Campeão, com ou sem seis pontos, eu digo Campeão porque mesmo se o Porto perdesse todos os jogos até ao fim do campeonato ninguém conseguia chegar perto.

sexta-feira, abril 04, 2008

Martin Luther King, Jr.

De vez em quando a humanidade é abençoado por profetas, por verdadeiros Homens que não se guiam por interesses, preconceitos e parecem pairar em cima de todos nós, comuns mortais. Homens que conseguem imaginar a humanidade como uma só, sem brechas nem sofismas. Martin Luther King permanece um exemplo para a Humanidade. O vídeo é um discurso arrebatador, nem acho que vale a pena ver o Homem que o profere, é irrelevante. É o discurso mais sentido, sem cábulas, porque está tudo lá, a luz, a humanidade, a partida e a chegada, nem sequer é preciso ler nas entrelinhas, porque não tem entrelinhas. O futuro da humanidade não pode andar muito longe destas palavras sábias. Os filhos de Martin Luther King, são os meus filhos também. "I have a dream that my four childrens will one day live in a nation (WORLD) where they will not be judge by the color of there skin (BY NO APPEARANCE) but by the content of their character". Faz hoje quarenta anos que um cobarde seco de esperança como um cadáver ao sol, matou Martin Luther King. Aprendemos alguma coisa?

http://youtube.com/watch?v=IWTKZLKWYHE (Não consegui incluir o vídeo e depois de muita luta com o HTML, achei melhor deixar aqui o endereço)

quarta-feira, abril 02, 2008

10 canções - parte 7/10



The Velvet Underground - Rock N Roll


Conheci os Velvet Underground talvez na década de oitenta, um álbum intitulado VU mas só lhes prestei atenção passados uns bons seis ou sete anos. A capa da banana, do Andy Warhol, o primeiro disco dos Velvet, apareceu-me um dia enquanto pesquisava uns discos usados numa loja da baixa da cidade. Fechei os olhos e pensei que se toda a gente me falava dos Velvet eles certamente tinham alguma coisa de interessante e, como todas as coisas boas não são facilmente perceptiveis ao primeiro contacto, mas necessitam de ser amadurecidas, decidi levar. Dois anos mais tarde já conhecia tudo que haviam para conhecer dos Velvet, do John Cale e do Lou Reed de quem sou fã incondicional (tenho de mencionar o álbum Transformers do Lou Reed de 1972, que na minha opnião é um grande disco de rock ´n´roll). Os Velvet Underground foram um cometa que passou e deixou o seu rasto de luz espalhado no universo da música. Se prestarmos atenção, podemos ainda ouvi-los, em centenas de bandas recentes. Fica aqui aqui o Rock ´n´Roll, mas podiam ficar outras canções (Pale Blues Eyes, I´ll Be Your Mirror, Sweet Jane, Heroin, After Hours), esta é talvez a que mais me marcou porque tocava uma versão numa banda que tive com uns amigos. Hasta!

domingo, março 30, 2008

Blaise Cendrars, Aventureiro e Escritor

Lendo o "Os livros da minha vida" de Henry Miller, encontrei da parte do escritor, uma grande e incondicional admiração por Blaise Cendrars de quem nunca tinha ouvido falar. Como sou um grande admirador da obra de Miller, fui à procura de Blaise Cendrars. Já sabia muito sobre este autor depois de ler as trinta páginas que Miller lhe dedica em "Os livros...", mas precisava de confirmar lendo a obra. Comprei "O Ouro", publicado pela Assírio & Alvim, com tradução de António Mega Ferreira, e que escreve assim no prefácio de quem também é autor: "O que fascinava Cendrars na história de Johann August Suter não era de ordem diferente daquilo que pode fascinar o mais comum dos mortais: como, por um golpe de vontade, se constrói uma fortuna; e como, por um golpe de azar, se perde a fortuna, por causa de uma fortuna ainda maior. Em meia dúzia de anos, Suter, o homem que atravessara a pé a fronteira entre a Suiça e a França, crivado de dívidas e fugido aos credores, cruzou o continente americano e ancorou na Califórnia, em vastos territórios inexpugnáveis, que, com sentido de organização e disciplina, começou a colonizar. Enriqueceu num instante, o tempo que leva Cendrars a escrever duas ou três páginas." Miller fala assim das personagens de Cendrars: "...é raro vermo-lo emitir julgamentos em relação aos outros. O que se nos depara é que, ao pôr a nu as fraquezas ou as faltas das suas personagens, ele está a revelar, ou a esforçar-se por revelar, a sua natureza heróica essencial. Todas as diferentes figuras - humanas, todas elas demasiadamente humanas - que povoam os seus livros são glorificadas no seu ser básico, intrínseco." Espero ter-vos aberto a curiosidade, eu por mim li o "O Ouro" numa noite de insónias, ontem, como era costume acontecer a Cendrars.

sexta-feira, março 28, 2008

10 canções - parte 6/10


Pixies - Gigantic


A banda que me salvou a vida. Não literalmente claro, mas que me ajudou a perceber que o rock ´n´roll não estava morto. Anos noventa parece-me, mas não posso ter a certeza absoluta desse facto. O que posso ter a certeza absoluta é que os Pixies apareceram com o álbum Surfer Rosa (1988) quando já ninguém esperava por eles, e com isso, ajudaram na pós-revolução que segurou o rock, não o deixando desfalecer em lenta agonia, inflamando-o de ar fresco e puro que se prolongou talvez, até ao Nevermind dos Nirvana. Os Pixies são, e confesso agora e talvez nunca mais, a minha banda preferida de todos os tempos; se disserem que eu disse isto, eu desminto categoricamente. Escolhi esta música porque é cantada pela Kim Deal, desculpa Black Francis, eras tu ou o Lou Reed. Eu explico. Aqui a escolha está ligada ao facto doloroso de a próxima música nesta lista, não ser a Nico, dos Velvet Underground a cantar "I´ll Be Your Mirror", mas tinha de misturar a sedução feminina neste enredo, sem a vossa suavidade e encanto todas estas as listas ficam amputadas. A verdade, é que podia ter escolhido uma dezena de músicas dos Pixies, enfim todas.

quinta-feira, março 27, 2008

Pequim 2008


Decidi boicotar os jogos olimpícos em Pequim. Vou dentro do possível ignorar as centenas de modalidades desportivas que tanto prazer me dão ver. Vou ignorar a abertura e o fecho. Vou fazer este esforço em nome da humanidade do século XXI, da minha filha e de toda a massa de gente que é continuamente explorada em nome de um capitalismo selvagem de fazer inveja aos mais dilerantes inventores desse sistema económico. Pela selvagaria chinesa que dura há anos Tibete, pela ausência de liberdade de expressão, pelas réstias mais ignóbeis do comunismo. Se existissem homens com amor pela vida, com respeito profundo pela humanidade a comandar países, então concerteza esses países recusavam este show-off e abandonariam com certeza os jogos. Está na hora e a hora é agora.

quarta-feira, março 26, 2008

Henry Miller, 1952

Uma citação que me chamou a atenção, num livro que ando por estes dias a ler.
"Nesta época, em que se acredita existir um atalho para tudo, a maior lição a aprender é que o caminho mais difícil é, a longo prazo, o mais fácil. Tudo o que nos é apresentado nos livros, tudo o que parece tão terrivelmente vital e significativo, não passa de uma parcela ínfima daquilo que lhe deu origem e que está ao alcance de toda a gente. Toda a nossa teoria educacional se baseia na ideia absurda de que devemos aprender a nadar em terra antes de nos atirarmos à água. Isto aplica-se ao estudo das artes, bem como à busca do conhecimento. O homem continua a ser ensinado a criar estudando obras de outros homens ou fazendo planos e esboços que não estão destinados a materializar-se. A arte da escrita é ensinada na sala de aulas em vez de ser no âmago da vida. Os estudantes continuam a receber modelos que, supostamente, se devem adaptar a todos os tipos de inteligêngia. Não é de estranhar que produzamos melhores engenheiros do que escritores, melhores peritos industriais do que pintores."
Henry Miller no prefácio de "Os Livros Da Minha Vida" - Antígona

terça-feira, março 25, 2008

10 canções - parte 5/10


U2 - Running to Stand Still


Não tenho a certeza se foi o álbum Boy de 1980, ou o War de 1983 o primeiro que conheci destes irlandeses que não precisam de apresentação, mas parece-me que essa informação não é importante, até porque a música que escolhi, depois de muito matutar, não é de nenhum deles, mas podia muito bem ser, como por exemplo I Will Follow ou New Year´s Day. As datas podem não ser as mais exactas e nem são assim tão relevantes, mas ainda estamos na década de oitenta. O meu melhor amigo tinha um irmão mais velho que tinha algumas pérolas em vinil entre as quais dois ou três álbúns dos U2, e mais algumas coisas muito apetíveis à nossa curiosidade juvenil. Passávamos algumas tardes a ouvir os discos às escondidas do irmão, e assim a minha dedicação pelos U2 foi-se cimentando pouco a pouco. Um dia arranjei coragem e lá pedi ao irmão mais velho, para me gravar uma cassete com os U2, mas não foi uma cassete normal, foi uma TDK Ferro de 90 minutos, virgem, uma preciosidade cravada aos pais. Na mesma altura e com o mesmo amigo, passávamos tardes a jogar Subbuteo e a ouvir em directo ou gravado (ainda tenho algumas dessas gravações) o programa de António Sérgio "Som da Frente" (agora quando ouço a sua voz em anúncios lembro-me sempre dessas tardes). Era a altura dos tele-discos, dos programas como o Countdown, numa época que a MTV (graças a deus), era ainda uma miragem. Echo And The Bunnymen e Joy Division são outras bandas que me ficaram desses tempos. Escolhi uma música do álbum Joshua Tree de 1987, porque nessa altura andava a aprender a tocar guitarra e esta música só tinha três acordes mas muita emoção, um lento crescendo ritmico que acompanha a letra como poucas vezes ouvi (Heroin dos Velvet é muito semelhante neste crescendo ritmo/letra. As notas são as mesmas). Centenas de vezes devo ter tocado e cantado esta música sozinho no quarto, até que me afeiçoei definitivamente a ela.

sábado, março 22, 2008

10 canções - parte 4/10



Ramones - Do You Remember Rock´n´Roll Radio

Os Ramones são do tempo das rádios piratas aqui no Porto, como a Rádio Caos (93.4 MHz) na Praça da República ou da Rádio Cultura (90.0 Mhz) no Marquês. Existia um programa, emitido pela Caos, todos os fins de tarde, que tinha como genérico a música dos Ramones, Do You Remember Rock ´n´Roll Radio. Cheguei nessa altura, com um amigo mais velho, a fazer alguns programas na Caos (tinhamos praticamente de pagar para manter o programa). Durante essas sessões fiquei a conhecer mais bandas do que até então. Aliás nunca tinha visto tantos discos juntos em toda a minha vida. Joy Division, Durutti Column, Echo And The Bunnymen, Killing Joke, U2, Cabaret Voltaire, Devo, The Fall, The Sonics, The Who, Bauhaus, entre muitas outras bandas que explodiam numa Inglaterra infestada pelo liberalismo de Thatcher e do pós-punk. Os Ramones são americanos mas marcam a minha passagem entre o punk e o pós-punk, a viragem para outro tipo de som, outras letras, outras músicas, o percurso até ai feito de dentro para fora, começou a fazer-se no sentido inverso. A quarta música é o Do You Remember Rock ´n´ Roll Radio para dançarem ai em casa, eu vou concerteza.

sexta-feira, março 21, 2008

10 canções - parte 3/10

Bruce Springsteen - Thunder Road

Seria muito injusto não referir a paixão que senti pelas músicas do Bruce Springsteen. Quase ao mesmo tempo do punk, aqui a ordem cronológica pode não ser a exacta, andei a coleccionar discos do Boss. A América fascinava-me na altura, ainda me fascina agora, e nada melhor do que as letras dos primeiros álbuns do Springsteen para sorver um pouco dessa terra tão distante e cheia de mistérios. Conheci a sua música quando foi lançado o mega-super estrondoso e lider de tops de vendas, Born In The U.S.A (1986), mas os discos antes desse são mais carne e sangue, mais sentimento, mais reais, mais a América desconhecida dos desalentos e terras prometidas. As auto-estradas que cruzam terriolas perdidas são a última salvação para quem quer fugir do vazio e partir atrás do sonho. Amores desavindos, filhos não programados, pessoas desempregadas e casas com hipotecas demasiado caras, gente que perde o norte e invariavelmente parte, gente como a gente realmente é. Curiosamente, ou não, foi através de pesquisas sobre o Springsteen que fiquei a conhecer escritores como Jack Kerouac e Jack London, cinestras como Coppola e os irmãos Coen e músicos como Elvis Costelo e Tom Waits, estavam os três num disco que comprei em homenagem a Roy Orbinson, chamado Roy Orbinson and Friends. O que sei sobre a América tem as suas raizes na música de Springsteen e se existe alguma canção que melhor junta as facetas da sua música é Thunder Road (1975), que fica aqui como a terceira música. Uma justa referência ao álbum Nebraska (1982), todo ele acústico e o único que ainda ouço com prazer hoje em dia.

quinta-feira, março 20, 2008

10 canções - parte 2/10


Tha Clash - Spanish Bombs

Fins dos anos oitenta, o punk já tinha estalado há muito tempo em Inglaterra, mas em Portugal estava no auge, para mim claro. Foi em casa de um amigo meu que ouvi o London Calling dos Clash pela primeira vez. Apesar de ele estar sempre a ouvir a música que intitula o álbum, eu sempre preferi o Spanish Bomb. Se tenho de fazer uma lista, tenho de incluir o Spanish Bomb. Mas para incluir esta música como icón daquele época, tenho também de falar certamente de músicas dos Sex Pistols, dos Ramones, dos Television, dos Buzzcoks, da Patti Smith, dos Dead Kennedys e de outros tantos. Esta é segunda canção mas a terceira deve certamente sair da lista de bandas que mencionei em cima.

quarta-feira, março 19, 2008

10 canções - parte 1/10


Sérgio Godinho - Com Um Brilhozinho Nos Olhos

Hoje acordei de sonhos inquietantes. Um sonho não termina quando acordamos, mas que se prolonga pelo resto do dia como uma pulga que teima em ser descoberta. Neste sonho pediram-me para escolher as dez melhores canções de sempre e os dez melhores livros de sempre. Acordei com suores frios e tremoras mas, apesar de tudo não passar de um enorme pesadelo, vi-me na obrigação de levar a cabo tão assustadora tarefa. Passei o dia a remoer nas músicas que me tinham marcado e decidi começar pela mais tenra idade. Recuei no tempo, recuei tanto que acabei a remexer em velhas caixas cheias de pó e cassetes baforentas até descobrir, bem lá no fundo, uma gravação de 1975, feita com os meus tios. Na fita negra esta gravado uma pequena voz cantando, Grrrrrandola Bela Morrrrrena. Em música de fundo ouviam-se as palmas da família babada. Deveria o Grandola Vila Morena a primeira desta lista? E o Com Um Brilhozinho nos Olhos do Sérgio Godinho já lá para os oitentas? A primeira música que soube cantar do princípio ao fim? E a Balada da Rita e o Antes no Poço da Morte? Gosto muito da música do Zeca, mas já não bateu forte para quem nasceu em 72, apesar de nunca ser tarde demais. A primeira música vai para o Sérgio Godinho, chama-se Com um Brilhozinho nos Olhos (É que hoje fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há), e engloba a Balada da Rita, Antes do Poço da Morte e Grandola Vila Morena do Zeca Afonso. Já agora uma menção honrosa para o Bairro do Amor do Jorge Palma, praticamente da mesma altura, mas descoberta bem mais tarde. A partir daqui as escolhas tendem a ficar mais nebulosas.

terça-feira, março 18, 2008

The Black Keys

The Black Keys são uma banda de blues-rock composta por Daniel Auerbach (voz e guitarra) e Patrick Carney (bateria), de Akron, Ohio. Conheço bem o álbum Rubber Factory, o primeiro que ouvi e que ainda hoje me parece o mais conseguido e nunca mais deixei de lhes seguir os passos. Attack & Release lançado este ano, trás boas recordações e é de ouvir com atenção. A designação blues-rock não é inocente já que considero que a mescla que eles conseguem entre dois géneros é assinalável, muito inteligente e sensível. A técnica de Slide, que consiste em deslizar um pequeno tubo oco sobre as cordas eléctricas, trás à lembrança as paisagens de Ray Cooder e mais recentemente Ben Harper. Deixo aqui uma música de Rubber Factory.
Discografia completa

The Big Come Up (2002)
Thickfreakness (2003)
Rubber Factory (2004)
Magic Potion (2006)
Attack & Release (2008)


The Black Keys_the lengths

domingo, março 16, 2008

Amy Winehouse & Joss Stone

Em que estas duas cantoras se assemelham? Primeiro as divinas vozes de ambas e um conjunto de boas e algumas excelentes músicas. Em segundo, o facto se serem ambas Inglesas e não Norte-Americanas. Estranho? Talvez não. O facto de serem ambas brancas a cantar músicas com raízes negras, como o Blues? Estranho? Claro que não, os Rolling Stones fizeram isso nos anos sessenta. E quais são então as diferenças além das óbvias? Lembram-se da polémica sobre Joss Stone quando se falou de como era possível uma rapariguinha de 18 anitos, protegida da aspereza da vida por uma educação cuidada, proveniente dos subúrbios de Londres, e que saltou para o estrelato numa espécie de “Chuva das Estrelas” made in England, ter uma voz comparável a Aretha Franklin, a diva Americana que tinha sofrido nos becos urbanos a agrestes desventuras emocionais? Uma voz que toda a gente sabia cantar a dor e a tristeza de uma vida vivida e dolorosa? Não, não era possível! Como podia ser possível?

Porque que é que o público americano prestou mais reverência e entusiasmo a Amy? Porque ela é aquilo que uma cantora de blues tem de ser. Aquele redemoinho anárquico que gira na vida privada de Amy, é o que todos queremos ver. As drogas, o álcool, namorado na prisão, clínicas de reabilitação todos os meses. Ela sim tem o direito para cantar os Blues. Terá? Ela sofre o suficiente para a sua voz conter a angústia dos Blues. Sofrerá?

Quem tem direito a quê? Parece-me, de facto, e dou o braço a torcer, que sinto mais a rua, o sangue e a ruína emocional na voz de Amy, do que na de Joss Stone. Serão as letras das músicas? Será impressão? Será indução? Quem sabe? Talvez não seja realmente possível uma miúda sem calos ter a mesma voz de Aretha Franklin. E Amy será uma miúda mimada? Existe sempre qualquer coisa, qualquer coisa que vem de dentro, mas de tão dentro que é impossível imitar. Talvez nada disto tenha importância alguma para quem ouve com prazer a música de ambas. Mas a história, esse rolo compressor, dirá de sua justiça daqui a quase nada.

sábado, março 15, 2008

Sam Shepard

Foi em 1943 que Sam Shepard nasceu. O seu pai era piloto da força aérea e os anos em que passou perseguindo o pai de base para base causaram-lhe forte impressão, senão os temas para as suas primeiras peças dramáticas: "Eu sinto que nunca tive uma casa, compreendem? Sinto-me ligado a este pais, mas nunca sei exactamente onde pertenço...Existe sempre este nostalgia por um lugar, um lugar onde consiga encontrar-me comigo mesmo."
Estes dados biográficos de Sam Shepard, retirados de http://www.todayinliterature.com/biography/sam.shepard.asp#top, são exactamente as sensações que retiro quando leio as suas peças ou os seus contos, uma permanente procura de algo que teima em nunca chegar, as corridas infernais, mesmo dentro de um pequeno espaço, nas peças de teatro, ou em planícies a perder de vista, com rancheiros, cowboys e gente deslocada no espaço e no tempo, como primordialmente acontece nos seus contos, são fruto desta ausência de sentido de pertença muito vincado na obra de Shepard. Para quem quiser conhecer um pouco da obra deste autor sugiro estas obras.
Crónicas Americanas (Motel Chronicles), da Difel, revela o mundo vertiginoso e por vezes surpreendente do homem, por detrás das peças que tornaram Sam Shepard uma lenda viva do teatro contemporâneo. Shepard escreve neste livro pequenas crónicas autobiográficas – o nascimento em Illinois, memórias da infância na base militar de Guam, em Pasadena e na Califórnia do Sul, as suas aventuras como rancheiro, criado de mesa, músico de rock, dramaturgo e actor de cinema.Muitos temas deste livro estão na base da peça Superstitions e de Paris, Texas, o filme de Wim Wenders de cujo argumento é autor e que, em 1984, recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes.
Loucos por Amor (Fool For Love), da Relógio D'Água é uma peça teatral que contém algumas das histórias mais intensas e comoventes que Sam Shepard escreveu. Shepard cria dois personagens, May e Eddie, enredados na força de um desejo que não pode ser satisfeito.

sexta-feira, março 14, 2008

Raymond Carver


Raymond Carver nasceu em 1938, no seio de uma família muito pobre. Empregou-se numa serração de madeira e, aos 19 anos, casou. Para sustentar a família foi porteiro de um hospital, vendedor de enciclopédias, motorista de pesados, empregado numa bomba de gasolina, etc.., conseguindo, porém, tempo para frequentar um curso de "escrita criativa". Após vários dramas provocados pelo seu alcoolismo, a mulher deixou-o definitivamente em 1977. Conheceu a poetisa Tess Galagher, com quem partilhou os últimos onze anos da sua vida. "Queres fazer o favor de te calares?" (Teorema, 1989), "De que falamos quando falamos de Amor" (Teorema, 1987) e "Catedral" (Teorema, 1983), são os livros de contos mais conhecidos entre nós. Infelizmente, já não conseguiu vir a Lisboa, onde o esperávamos em Outubro de 1988. A morte prematura, em consequência de um cancro, levou-o a 2 de Agosto de 1988.

Um dos contistas norte-americanos que realmente me ficou na alma. Muitas passagens dos seus textos aparecem na minha cabeça sem serem convidados e em ocasiões estranhas e inoportunas. Raymond Carver não é fácil, pelo contrário é chato, é provocante, é intrigante mas quem quiser ler para não ficar como estava, os contos de Raymond Carver contém a promessa de não deixar ninguém emocionalmente ileso.

quinta-feira, março 13, 2008

Times They Are A Changing

Já não te falo há muito tempo, nem sei ao certo porque aqui estou novamente contigo. Talvez porque hoje vi um filme, um delicioso filme, apeteceu-me chorar, vi-me a mim mesmo desfeito em lágrimas, mas acho que interiorizei que isso não é coisa de pessoas feitas e gordas. Agora gostava de ter chorado, só para ir contra essa estúpida premissa. Dois anos sem aqui passar. Nesta ausência muitas coisas aconteceram, muitas ficaram por acontecer e muitas desejámos fazer acontecer, mas tu sabes, o ritmo impede devaneios e tudo nos impele ao caminho recto sem sobressaltos, mas como eu adoro curvas, tropeções e todos esses actos egoístas que me fazem cair para depois me puder levantar outra vez. Renascer! Mudar de casa, mudar duas ou três vezes de emprego por ano, saltos mortais em profissões, piruetas no futuro incerto mas sedutor! Vontade de rir, tu já reparaste como nos tentam castrar lançando para o ar palavras gélidas como empreendedor, sucesso, investimento, economia, e impigem todas as sílabas como se tirassem um coelho da cartola? Se insistirmos nisso os chineses arrebentam com tudo, no mais execrável pesadelo da guerra fria, no pior dos dois lados. Mas para que te falo disto tudo? O que eu queria dizer é que hoje é o fim do egoísmo, a minha filha cresceu, devias vê-la a brincar no chão da sala com legos e bonecos azuis. Salta de sofá em sofá com se fosse vento e não me deixa parar. Eu agarro-a quando cai desvairada e respiro sem pensar. Tento não deixá-la muito tempo em frente à televisão, mas o que é que um pai pode fazer?

domingo, fevereiro 10, 2008

Passado um ano

Passado um ano pensei em dar aqui uma saltadinha. Só para cumprimentar velhos amigos. Olá como estão? Este ano foi fértil em mudanças na minha vida, novas músicas, novas leituras, estudos (voltei à escola, quem diria !!!). Para já o que eu gostava era conseguir voltar a escrever aqui com alguma regularidade. Vamos lá ver se consigo. Um abraço e até jazz.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Claro que SIM que claro!

quinta-feira, outubro 12, 2006

Canções 11



Sobre Tom Waits já disse tudo num post de 31 de Março (Canções 8), só não tinha ainda descoberto o YouTube nessa altura.
Video realizado por Jim Jarmusch.

terça-feira, outubro 10, 2006

Diário de viagens fictícias

Esta é uma cidade na foz de um rio escuro e esguio que abriu montanhas em dois à sua passagem, cravou braços nas margens e não parou senão perante o grande e interminável oceano que o acolhe com tumultuosas e indispostas ondas de espuma, apesar dos séculos, o rio será sempre um intruso. Mas se o rio se força no mar, não é menos verdade que a água salgada entra no caudal doce até quase trinta quilómetros no interior da terra quente. De uma colina alta junto à foz, observa-se a cidade a descer, trapalhona, até ao rio, ou melhor será dizer, a subir a partir do rio, porque são as margens, o ponto originário da evolução deste burgo, apesar de ao primeiro contacto visual, parecer que a cidade caíu do alto da montanha até ao rio, numa avalanche de telhas, cimento, janelas empedradas e animais aflitos.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Parabéns eu



Quando a tua morte se entrelaçou no meu nascimento, foi quando mais reparei em ti. Pensei neste dia que desapareceste e eu nasci, fazer-te uma pequena homenagem, nada de esfinges, tu sabes como detesto regressados, só uma coisa simples. Depois pensei que homenagens já tens bastantes e talvez o melhor seja pedir-te, não uma benção, antes uma direcção, um caminho seguro onde a tua voz guie os meus passos através da bruma dos dias, não me deixando impune. Não leves a mal a minha intenção é pura.

sábado, setembro 16, 2006

Arqui-inimigo



O meu arqui-inimigo pensa em coisas que não lembra às mais terriveis mentes. Tem pensamentos dementes e podres de insanidade. O meu arqui-inimigo tem o mesmo nome do que eu mas não sou eu, veste um corpo igual ao meu mas que não é o meu. É o diabo no meu ombro esquerdo, o sangue nas minhas veias. Tem super poderes e usa-os quando me deixo vencer, como a preguiça, a presunção e por vezes atira palavras pela minha boca que não tive sequer tempo de assimilar. O meu arqui-inimigo é forte, mas vou ganhando, às vezes perdendo batalhas, mas contra o amor e a razão, os meus super poderes mais fortes, ele fraqueza e desaparece, para novamente reaparecer. Nunca vou conseguir matá-lo, ele é eu, eu sou ele.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Leituras 11


Não gostei tanto como "Os nomes", mas não deixa de ser mais um romance conseguido por Don Delillo, este do ano de 1991. Convém reter uma frase deste livro, que nada tem de especial, mas, e depois de três dias de documentários sobre o 11 de Setembro (até sonhei com aquilo), achei interessante transcrever.
" Da janela virada a sul avistavam-se, recortadas na noite, as torres do World Trace Center, extremamente proximas e densas. Nelas, a palavra "ameaça" surgia em toda a extensão, toda a iminência da sua força."

terça-feira, setembro 12, 2006

Parte do que sou...



...anda algures entre estes livros e discos,
esquecido e espalhado nestas estantes,
ou,
finalmente arrumei o meu canto.

segunda-feira, setembro 11, 2006

quinta-feira, setembro 07, 2006

Morto no deserto



Não se consegue ver mas eu digo o que está ali escrito: 07/09/2006, na categoria Teatro no Porto, não foram encontradas ocorrências que satisfaçam a sua pesquisa. Finalmente a politica do nosso presidente de câmara está a dar frutos.

Pearl Jam



Tinha prometido a mim mesmo nunca mais ir a LIsboa ver um concerto e voltar no mesmo dia, mas foi mais forte do que eu. Ainda bem que faltei à promessa, os Pearl Jam deram um concerto memorável. Eddie Vedder falou bastante em português, principalmente para elogiar as ondas do nosso litoral. Cantou-se em coro as músicas mais antigas, fizeram dois encores para tocarem uma versão dos RAMONES em homenagem a Joey Ramone e o já habitual "Keep on rocking on the free world" de Neil Young. Valeu!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Canções 10

VELVET UNDERGROUND

Heroin

Mais um murro no estômago. Ouvi esta canção em casa de um amigo da secundária, corriam os anos oitenta. Apesar dos rasgados elogios que ele fez aos Velvet Underground eu não vi na altura a importância do que estava a ouvir. Alguns anos mais tarde e depois de muita outra gente me ter falado nos Velvet, eu decidi entender. Comprei o álbum da banana e descobri em domino a Factory, Andy Warhol e os seus filmes ultra realistas. Descobri Lou Reed, porventura o meu maior formador musical. A heroína, essa malfadada, descobri-a nas ruas de outras maneiras e quando tal aconteceu, a canção de Lou Reed começou a fazer sentido.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Em memória de Pat



Vou escrever uma pequena história sobre esta tocante notícia publicada pelo Jornal de Letras, é imperativo, é fundamental para mim entrar dentro de uma mente sem memória, porque também sinto e imagino muitas vezes a sensação de ausência, de algo misterioso e encoberto pelo véu do passado que vagueia furtivo em mim.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Intercéltico Sendim 2006



Um festival diferente que não move massas. A maior parte das bandas eram espanholas e muito interessantes, de resto foi boa comida, sol, mergulhos no rio douro e bom ambiente. Pena ser tão longe, e daí, ainda bem que é longe.

terça-feira, julho 11, 2006

Amanhã seria diferente

És para mim um lobo negro que corre entre ervas altas olhos vermelhos do inferno que sentes e os dentes, reluzentes, no branco da lua cheia. Corres atrás de mim com uma fome canina perseguindo na bruma, na tumba, rumba. Finalmente alcanças-me e tudo que fazes é lamber-me as mãos, como um rafeiro abandonado, enfadado, regalado, rebolas a meus pés.

quarta-feira, julho 05, 2006

Estou triste é certo, mas não assim tão triste

"Uma das coisas de que me ocupo neste livro, e que, aliás, venho perseguindo desde sempre, é a questão da identidade. (...) A grande possibilidade de sermos felizes é poder construir e reconstruir identidades múltiplas ao longo da vida"


MIA COUTO "Jornal de Letras" de 10 de Maio.

sábado, junho 10, 2006

Sexta

Este mundo não é nosso,
Eu sei irmão abraço,
Agarra-me nesta injecção que nos dão,
A cura da nossa inquietação.

Estão fartos os meus irmãos,
Nossa loucura não é a deles,
Corrupio, devaneio, aguerrido,
Não são flores não,
É só vil,
Porcas folhas de papel
Tua paixão queremos paixão,
A carne solta do corpo
Amor a desbotar rebentar.

Estão fartos meus irmãos,
Do vil como eu.
Eu farto estarei também.
Sempre em vós respirarei.
Aconchego.
Sempre.
Vos procurareis.

quarta-feira, maio 31, 2006

Um Mal Menor

Tudo começou por um insignificante murmúrio, um pequeno zumbido ruminando na testa. Depois passou para tonturas e por fim o desmaio que culminou na passagem pelo hospital. “Tem pouca glicose, precisa descansar, as tensões muito baixas, análises a isto e àquilo”, tudo misturado com conselhos médicos e olhares para os ponteiros, disfarçados do relógio. Andam no ar, as palavras como roldanas formando perfeitos e científicos mecanismos. Eu muito longe dali, a brincar com a Joana na varanda da minha avó, soprando bolas de sabão ao vento. “Mais açúcar, precisa de mais açúcar para equilibrar o organismo”. Se lhe explicasse o que sentia encolhia os ombros, mesmo assim, abriria o grande livro das doenças e desequilíbrios gerais para nada encontrar. “ Para o seu mal não existe cura, caro amigo”, diria resignado. ”Mas tenho um médico meu amigo que estuda casos assim...”, e pousaria na minha mão um cartão dourado. Obrigado vou indo, já me chega a vizinha do lado, e a gata com cio, largando gemidos do terceiro andar. Já me chega a chuva, a merda da chuva corroendo os passeios encharcando as roupas enegrecendo o coração, sim senhor doutor, a porca da chuva que teima em não amainar por mais que eu dance em círculos. É aqui que volto a Joana, debruçada na varanda, a soprar ao vento grandes e redondos balões de sabão.

sábado, maio 27, 2006

Ainda sou do tempo...





... do Café Luso, onde se faziam tertúlias intermináveis pela noite dentro. Deste Rés do Chão e da gente nocturna de toda a espécie que por ali se sentava. Do cheiro a haxixe entre as mesas e dos saudosos príncipes, a cerveja de pressão que fez história na cidade.

segunda-feira, maio 22, 2006

...e passou um ano.

Este blog faz hoje um ano. Nesta parede que é a minha vida, muitos amigos espreitaram pelo buraco e por aqui andaram e comentaram. Esses amigos estão todos aqui ao lado, onde espreito também. Comecei com um conto chamado Redenção, sem saber que a redenção foi o verdadeiro móbil deste blog, este despejar de coisas por vezes inúteis que nos sobrecarregam a alma. Desde de 22 de Maio do ano passado, muitas coisas aconteceram. Tive uma filha, casei, tive desempregado, desarranjei emprego e voltei a desarranjar. Mudei de casa, comprei uma casa. Sofri como em todos os anos mas sorri muito também, que a vida mais não é do que momentos roubados à rotina. Nestes últimos dois meses pouco tempo aqui passei e nem para dar uma espreitadela aos amigos arranjo um minuto. Hoje saio de casa às 8 da manhã e só volto às 8 da noite. Por aqui me vou arrastando mesmo assim. Comecei um novo blog, onossocalao.blogspot.com, onde rapidamente coloco algum calão que coleccionei ao longo dos anos e pouco mais tempo me sobra. Mas por cá vou continuar a andar com regularidade indefinida.


Bem Ajam vizinhos!

terça-feira, maio 16, 2006

Incêndios florestais

Os centros comerciais são os eucaliptos do urbanismo, onde são implantados secam tudo à volta.

sábado, maio 06, 2006

segunda-feira, maio 01, 2006

Leituras 10


"O que teria acontecido nos EUA e no mundo se o célebre aviador de ideias anti-semitas, Charles Lindbergh, se tivesse apresentado às eleições em 1940 e tivesse derrotado Franklin Roosevelt?"

O livro é muito bom, todos os Philip Roth são aliás muito bons. Apesar de não ser um romance como "A Mancha Humana", inteiramente centrado em questões individuais, "A Conspiração" é sobretudo um livro sobre a comunidade judaica nos EUA antes da segunda grande guerra. O narrador é o filho mais novo de uma família judaica que encarna a comunidade em todas as facetas.
Apesar da ficção, notei ainda a omissão a todas as outras raças dos EUA que foram, com ou sem Lindbergh, oprimidas nesses anos.

sábado, abril 29, 2006

Canções 9

PINK FLOYD

Nobody Home

I've got a little black book with my poems in.
Got a bag with a toothbrush and a comb in.
When I'm a good dog, they sometimes throw me a bone in.
I got elastic bands keepin my shoes on.
Got those swollen hand blues.
Got thirteen channels of shit on the T.V. to choose from.
I've got electric light.And I've got second sight.
And amazing powers of observation.
And that is how I know
When I try to get through
On the telephone to you
There'll be nobody home.
I've got the obligatory Hendrix perm.
And the inevitable pinhole burns
All down the front of my favorite satin shirt.
I've got nicotine stains on my fingers.
I've got a silver spoon on a chain.
I've got a grand piano to prop up my mortal remains.
I've got wild staring eyes.
And I've got a strong urge to fly.
But I got nowhere to fly to.
Ooooh, Babe when I pick up the phone
There's still nobody home.
I've got a pair of Gohills bootsand I got fading roots.
Volto sempre ao Roger Waters quando me sinto assim...

sexta-feira, abril 28, 2006

Poema

Ela entrou com embaraço, tentou sorrir, e perguntou tristemente - se eu a reconhecia?
O aspecto carnavalesco lhe vinha menos do frangalho de fantasia do que do seu ar de extrema penúria. Fez por parecer alegre. Mas o sorriso se lhe transmudou em ricto amargo. E os olhos ficaram baços, como duas poças de água suja... Então, para cortar o soluço que advinhei subindo de sua garganta, puxei-a para ao pé de mim e, com doçura:
- Tu és a minha esperança de felicidade e cada dia que passa eu te quero mais, com perdida volúpia, com desesperação e angústia...


Manuel Bandeira (1886 - 1968)

domingo, abril 23, 2006

A minha cidade campeã.

A minha cidade está em ebulição. Ouço buzinas no meu jardim, perto, longe. Um todo de buzinas como um zumbido. O Porto é campeão, o meu clube, a minha cidade. Não fui para a baixa, tenho uma filhota que ainda não entende nada de bola e por mim pouco vai ficar a entender, desde que seja do FCP. Não desejo mal aos meus adversários mas no ano passado custou-me ouvir umas buzinadelas esporádicas na rua, é como se o meu vizinho ficasse com a promoção no emprego e viesse festejar para a porta da minha casa.
Lembro-me quando o meu irmão tinha 13 anos e numa noite de S.João, perguntou inocente ao meu pai: “Este ano não ouve aquela festa antes do S.João?” A festa era o Porto campeão, foi o Boavista e bem aja também. A cidade também vibrou.
Viva a minha cidade campeã!

sexta-feira, abril 21, 2006

Novo blog

o blog onossocalao.blogspot.com é uma aventura falada. Tudo que dizemos mas que não vem no diccionário, às vezes até vem. É a aventura que decidi iniciar em paralelo com o buraco. Lembram-se de alguma expressão curiosa?

segunda-feira, abril 17, 2006

Porto

O holandês ganhou o derby que realmente interessava e isso é tudo que interessa agora.



Are you talking to me?

quinta-feira, abril 13, 2006

Fumar Mata

Acabemos com o fumo nos locais de trabalho. Já agora acabemos com a imbecibilidade humana também, acabemos com a poluição sonora que é ouvir algumas pessoas falar e acabemos também, com as roupas pindéricas e penteados desastrosos que por certo tiram anos de vida a muito gente incauta que olha sem querer, acabemos com o mau hálito do vizinho da secretária ao lado e acabemos de vez com os politícos, juizes embargadores e árbitros de futebol. A Isabel não sei quê, podia também desaparecer, da televisão. Acabemos com os condutores de domingo, anos de vida nos são tirados por essa espécie perfeccionista e piquinhas. Acabemos com as multas. Porra é tão fácil, afundamos o país, façamos dos castigos corporais lei, batiamos nas crianças sem distinção e carimbar isso noutra lei, acabemos com os bons pais de família porque é também de lei e reconquistemos tudo outra vez. Acabemos com desabafos assim mal escritos e desaguemos para outro parágrafo antes que alguém acabe comigo.

quarta-feira, abril 12, 2006

Espuma dos dias

O único romance que tenho com o meu emprego é cheque ao fim do mês.

sexta-feira, abril 07, 2006

Os copos dançam

Três copos no balcão dançam,
A balada dos perdidos,
Batons vermelhos no escuro
Abrem-se em sorrisos duros.
Já fomos muito mais
Heróicos nas batalhas travadas,
Armas com cravos exportávamos,
Gente era gente não uma patente.

terça-feira, abril 04, 2006

Ouço um autocarro na noite

Ouço um autocarro na noite,
Ofegante na desacelaração em desabafo,
Lambe a curva apertada
Antes da acelaração desesperada,
Rasgando passados esquecendo promessas,
Para a frente é que é estrada.

Quem levará aquele carro,
A esta hora da madrugada?
Que Porto procuram os viajantes?
Preferem crescer embriegados
Dos crescidos adultos mutilados,
Ou presos no cansaço de um coração tardio?

Decidi, quero entrar,
Não espero nem mais um segundo,
Parem o mundo que quero meter o pé,
E como um intruso participar,
Nesta farsa burlesca, deveras dantesca.
Coluna direita, olhos em frente.

segunda-feira, abril 03, 2006

Canção de amigo

Meu amigo não dispensa
Três dedos de bilhar,
Uma cerveja fresca,
Na esplanada junto ao mar.
Não conta as estrelas
Mas tem jeito de sonhador,
Um sorriso franco,
Que se confunde com Amor.

Não entra em discussões
Que sabe vai perder,
Prefere a mulher fresca
Que passa a correr.
Tem um coração ingénuo
Impossível de mal tratar,
Mas se o caldo se entorna,
Mete o punho até estalar.

Gostava um dia de ser
Alguém forte como ele,
A vida não lhe mete medo
Seja qual for o enredo.
O sorriso no canto da boca
De quem nada pode perder,
Porque cresceu sem nada
E tudo parece ter.

domingo, abril 02, 2006

Parque Biológico de Gaia







Sugestão para domingo solarengo

sexta-feira, março 31, 2006

Canções 8

I wish I was in New Orleans - Tom Waits

Well, I wish I was in New Orleans
I can see it in my dreams
arm-in-arm down Burgundy
a bottle and my friends and me
hoist up a few tall cool ones
play some pool and listen to that
tenor saxophone calling me home
and I can hear the band begin
"When the Saints Go Marching In"
by the whiskers on my chin
New Orleans, I'll be there

I'll drink you under the table
be red nose go for walks
the old haunts what I wants is
red beans and rice
and wear the dress I like so well
and meet me at the old saloon
make sure there's a Dixie moon
New Orleans, I'll be there

and deal the cards roll the dice
if it ain't that ole Chuck E. Weiss
and Clayborn Avenue me and you
Sam Jones and all
and I wish I was in New Orleans
I can see it in my dreams
arm-in-arm down Burgundy
a bottle and my friends and me
New Orleans, I'll be there.




Podia ser outra canção, mas optei por esta, uma das primeiras que ouvi (Small Changes, 1976), podiam ser dezenas de outras igualmente relevantes para mim. Mas escolhi esta e aqui fica a minha pequena homenagem a um dos melhores escritores de canções que conheci e que nunca tive a oportunidade de ver ao vivo.

quinta-feira, março 30, 2006

Porca Miséria

Extraído de:

http://www.letra.org/spip/ ( ConsumeHastaMorir)


Se o mundo fosse uma pequena cidade de 100 habitantes.

Haveria:

57 asiáticos
21 americanos
14 europeus
8 africanos

52 seriam mulheres
48 homens

30 seriam de cor branca, e
70 não teriam cor branca

30 seriam cristãos, e
70 não-cristãos

89 seriam heterossexuais, e
11 homossexuais

6 pessoas possuíam 59% da riqueza de todo a aldeia,
e essas mesmas seis pessoas seriam norte-americanos

80 pessoas viveriam em condições infra-humanas, e
70 não seriam capazes de ler

50 sofriam de má-nutrição,
1 pessoa estaria a ponto de morrer,
1 bebé estaria a ponto de nascer

Só 1 pessoa teria educação universitária

Só 1 pessoa teria computador

terça-feira, março 28, 2006

Ninguém em casa


Road Trip Santiago 2006

sexta-feira, março 24, 2006

Noite

Trinca a minha alma
Crua mal passada,
Lambe três dedos de conversa
Sobremesa endiabrada.

Cheira o meu poro
Noites mal digeridas,
Rastos de braços na madeira
Pedradas nas costas erguidas.

Bom natal companheiro
Sei como irmãos somos
Na escura solidão.

Boa vida amante perdida
Sei como carne rasgada fomos
Entre ossos aflitos.

quinta-feira, março 23, 2006

Casa de partida (letra de canção)

Parem o comboio na próxima estação,
Só quero estar longe daquela que perdi,
Não interessa se não há viva alma por aqui,
Só quero sítio seguro para me despedir de ti.

Enfiado na garrafa com a alma ferida,
Vejo um homem de saída num espelho quebrado,
Começo então o caminho da casa da partida,
No dia em que te vi e jurei ter-te amado.

quarta-feira, março 22, 2006

O meu blog

Sim, é verdade que me tenho baldado para ti, meu blog, é verdade que não te tenho dado a atenção que mereces, a atenção que tencionava dar-te quando te criei, mas eu sinto o mesmo da tua parte por isso não te queixes muito.

terça-feira, março 21, 2006

O mundo às costas


Road Trip to Santiago 2006

Às vezes parece que o céu não tem estrelas, que carregamos o mundo às costas.

domingo, março 19, 2006

sexta-feira, março 17, 2006

De Que Falo Quando O Falo É Todo O Amor

aqui está um bom título para a literatura cor de rosa....

quinta-feira, março 16, 2006

Jesus And The Mary Chain



Esta foi a banda que mais vezes vi ao vivo. Lembro-me da primeira no saudoso, ou talvez nem tanto, Infante Sagres, andei dois ou três dias com um zumbido nos ouvidos tamanho foi o feed back provocado pelos irmão Reid. Logo a seguir talvez só o Nick Cave e o Iggy Pop com duas vezes cada. Ups..e os G.N.R e os Xutos e Pontapés também.

quarta-feira, março 15, 2006

Mais Uma Surpresa em Santiago


Santiago 2006

Enquanto passeava em Santiago tive uma surpresa. Confesso que já li quase tudo de Hemingway, sou um quase fã. De Gonzalo Torrenze Ballester li o "Romance de Pepe Ansurez" e o muito bom "Crónica do Rei Pasmado" que aconselho a toda a gente. A surpresa foi viverem os dois nesta casa, noutrora Hotel Suizo, a placa não diz se conviveram juntos, mas estou certo que sim, que juntos beberam algumas Estrella Galiza junto à Catedral. Cada vez que vou a Santiago tenho uma surpresa, adoro as impressões daquela cidade celta e misteriosa. Sempre me senti galego quando estou na Galiza, mais do que português em algumas zonas de Portugal.

terça-feira, março 14, 2006

A mão cansada


Santiago 2006

sexta-feira, março 10, 2006

quarta-feira, março 08, 2006

De como gosto...

De como gosto de viver do outro lado do rio,
De levar a minha filha pela marginal,
Quando os galos ensaiam o primeiro cócóró,
Um roncar gasto e aflito de anos de labor.

De como gosto de ver o Porto,
Espelhado nas águas do Douro,
É verdade Leonor, as pontes reparam em ti
Como se fosses a primeira de todo o sempre.

De como gosto da D.Luis da D.Maria da infernal Arrábida.
Das brilhantes novas pontes.
Contraste escuro da minha alma.

Isto é como gosto,
De Ti de Mim de Nós, sim, de todos Nós,
Isto é como gosto do Porto de abrigo do nosso Coração.

segunda-feira, março 06, 2006

Vian



Foi ele que me agarrou nos cabelos, atirou a minha cabeça para a parede, resgatou o meu corpo da preguiça nostálgica, quando tudo que queria era descansar por um minuto.

domingo, março 05, 2006

Instante

Aquele instante
Quando o riso é ainda promessa,
Ateando pequenas faíscas
Nos teus lábios,
É nessa milésima de tempo,
Que mergulho cego
Em mil fardos de algodão.

sábado, março 04, 2006

Amigos

Há amigos que se aconchegam na nossa carne mas que não passam de momentos, depois há amigos que estão debaixo da nossa pele e por muito que esfreguemos nunca saem e ainda bem.

domingo, fevereiro 26, 2006

sábado, fevereiro 25, 2006

1987



As coisas que se descobrem quando se muda de casa. Corria o ano de 1987, tinha motivos para sorrir. Foi o ano do calcanhar do Madjer, a mais saborosa Taça dos Campeões Europeus, é verdade, a primeira é quase sempre a melhor. Rabat Ajax, Victovik, Brondby, Dinamo de Kiev, vi esta meia-final nas bancadas das Antas, sem conseguir por os pés nos chão. No dia do Bayern fui para o palácio de cristal e vi o jogo numa mesa do café, o écran gigante afinal não funcionou. Á primeira desilusão seguiu-se um golo que fez história. Ao meu lado, o Bexigas, famoso adepto portista, viajante companheiro do 52 Aliados, deu-me um abraço que me deixou marcas nas costelas durante meses, mas quem queria saber disso para alguma coisa, voaram canecas e mesas, quando Juary marcou o segundo o café explodiu. Gente até ali estranha, beijava-se e cumprimentava-se, a Taça era de todos nós e o povo foi para a baixa. Sou do clube da minha terra, sou também do Ramaldense e do Campinas logo a seguir. Também gosto um bocadinho do Boavista, o estádio do Bessa mesmo ao lado de onde nasci e a minha avó e os meus tios que me cantavam o hino xadrez, mas isso não se pode dizer a ninguém!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Esquinas

Gosto dos ângulos de noventa graus das esquinas e do reboliço interior que me apressa o passo até as transpor. Depois concluo resignado que não há mistério, o meu alimento vem antes da acção, a acção em sí é uma chatice. Mesmo assim não aprendo e alargo a passada até à próxima.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Leituras 9


Comprei este livro por ser o terceiro ou segundo melhor classificado numa edição que o Mil Folhas fez, onde convidou vários escritores a elegerem o melhor livro que leram em 2005. Não estou nada arrependido o livro é belo e cheio de humor. É a história de um aspirante a escritor ou exilado cultural espanhol que vive num sotão em Paris, alugado por Marguerite Duras. Recomendo a leitura de Paris É Uma Festa de Hemingway para melhor se absorver na atmosfera deste livro.