terça-feira, junho 21, 2005

Anjos de Verão


Carícias antigas caíram no meu sono,
Aconcheguei-as junto ao peito
Como quem mata um cabrito.
Amei em silêncio e a ti também.

Carroças de bois, terra aguilhotinada,
Lâminas de pinheiros em fardos de ar.
Tive medo por mim e por todos nós,
Com os pés presos em blocos de cimento.

Pensei ouvir teu clamor no orvalho,
Mas era o verão a trepar pela calha.
Inclinado no teu dorso senti-o
Forçar as cortinas do nosso olhar.

1 comentário:

Bárbara Vale-Frias disse...

Resposta deixada lá no Sublimações:

«Se eu fosse uma "celebridade" do Big Brother talvez pensasse em fazer deste blog uma "manta de retalhos" ;) Agora assim... resta-me o prazer do vosso feed-back :) Obrigada. Bjs»

Quanto a este teu poema... adorei os últimos 3 versos:

«Mas era o verão a trepar pela calha.
Inclinado no teu dorso senti-o
Forçar as cortinas do nosso olhar.»

Gosto destas imagens que crias com as palavras :)