terça-feira, setembro 06, 2005

O palácio (Work In Progress) 6

Este parágrafo anda emperrado, está a ser dificil descobrir o fio condutor, além de que o tempo não é muito. Mas aqui vai mais uma revisão que não será a última. Vou entretanto seguir em frente (já que o final conto me ocorreu) para ver se descubro o que falta atrás.
"A construtora Alves & Alves foi criada no início do século XX pelo avô dos actuais gémeos Alves, se bem que no início se chamasse Construtora & Imobiliária Alves Lda. e fosse apenas um pequeno escritório no centro da cidade. A firma expandiu-se durante a segunda metade do século passado graças ao seu grande impulsionador, o pai dos gémeos, que elevou a firma até um décimo andar num prédio da zona mais cara da cidade; não posso esquecer de falar no meu pai. Hoje em dia são os gémeos que gerem a firma. E que posso eu dizer dos gémeos da Alves & Alves L.da? Que os odeio? Odeio-os? Mas porquê? Agora sim, pelo meu pai? Por mim? Será pelo meu pai que morreu com sessenta e oito anos de ataque cardíaco cercado de contratos imobiliários sem nunca lhe ser reconhecido o mérito? Que morreu sozinho na secretária que ocupou durante meio século, não sem antes arranjar trabalho para o alienado filho? Que odeio os gémeos, o seu jeito superior, os fatos garridos pirosos, os carros e as mulheres deles? Que desprezo os gémeos pela minha mãe e pela minha irmã? E que posso mais dizer sobre os gémeos? Que são diferentes um do outro como água do vinho? Que um é gordo e o outro é magro, um forte outro fraco? Que o gordo empurra o fraco e o magro acolhe o forte? Que funcionam em cunha? Posso começar por dizer que fisicamente nada têm de semelhantes. Poderia também dizer que ambos têm à sua maneira o dom da multiplicação do dinheiro e tal Midas, o fardo de transformarem em ouro tudo que tocam. Poderia satisfazer o meu asco e dizer que o ouro resvala para a merda como o milho para estrume? Não, não me quero alongar em afrontas e insultos. Vou então, e só para terminar e passarmos sem demorar para a porta do palácio, onde aguardo o exterminador, dizer que nada do que vos contei, me iliba do fim desta história, nem é por si só factor justificativo das acções que a seguir vou narrar; sei-o agora enquanto escrevo."

3 comentários:

JOSE MANUEL CARVALHO disse...

Já que insistes. Sugestão: “…os carros potentes e as mulheres serpentes (mas não as odiava, comia…) ”

Rogue disse...

Está-se a compor....Continua....

Juninho Petrolina disse...

Dãsse...