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sábado, março 14, 2009

Carrocel

A Subir: Ajeitei o cabelo no espelho do elevador. Deve ser um bom emprego ficar atrás dos espelhos dos elevadores. Será que ganham bom dinheiro? Procurei não exagerar nos arranjos, não queria que pensasse que era vaidoso. Ao sair sorri e fiz uma vénia, só para lhe dizer que eu não era nenhum estúpido e sabia perfeitamente que ele estava do outro lado.
A Descer: Agarrei-lhe a mão e entramos no elevador. Bem me quer, mal me quer, as luzes passavam pelos andares, bem me quer, mal me quer. Fez uma careta ao espelho quando saímos. Será que também sabia do homem que lá estava? Poderá tal coisa estar ligada aos genes? Ao DNA? Será que uma coisa como saber que existem homens atrás dos espelhos dos elevadores passa de pais para filhos? Mal me quer. Pim!
Na Rua: Os satélites no espaço devem descarregar raios e fluxos energéticos capazes de fritar a massa cinzenta da humanidade. Será que alguém já tinha estudado isso?

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

O outro lado do espelho

Oliveira vivia no meio do reboliço citadino num pequeno prédio de dois andares no centro da cidade, mas a verdade é que poucas vezes saia de casa e se confrontava com a agitação, permanecia como um recluso, fechado no seu pequeno mundo, com os seus livros, os seus apontamentos e a sua colecção de citações que engrossava todas as semanas. Vivia de um pequeno subsídio de invalidez dado pelo estado o que lhe permitia pagar a renda, comer e comprar alguns livros. Oliveira tirou a roupa três vezes no banco onde trabalhava, sem motivo aparente subia para cima do balcão e começava a desabotoar a camisa, tirar os sapatos e a desapertar o cinto e só nunca terminou o seu propósito porque os colegas vinham a correr tampando-o com impressos de depósitos e formulários de empréstimos. Da primeira vez esteve de baixa seis meses, na segunda um ano com os episódios de nudez a repetirem-se sempre que voltava ao serviço, até que da terceira vez desistiram dele, atribuíram-lhe uma pensão vitalícia e afastaram-no para longe da solenidade bancária. Eu sempre duvidei que a saúde mental de Oliveira fosse assim tão diferente da maioria de nós, mas quando se opta por tirar as roupas em frente a uma velhinha enquanto se lhe entrega a pensão, o mundo assume que passamos definitivamente para o outro lado do espelho.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O indivíduo e o colectivo

Ao ouvir certas pessoas falar, ficamos com a ideia que a humanidade é tudo que lhes interessa e o bem-estar do seu semelhante um ideal que perseguem, mas depois, e quando confrontadas com a individualidade, são incapazes de a acolher com ternura e fraternidade. É-lhes difícil lidar com o indivíduo isolado, por isso defendem-se no abstracto. A essas pessoas o indivíduo aparece-lhes como feio e deformado. Já humanidade é um conceito que abraçam facilmente, isto por ser uno e não reagir, é impávido e sereno, repousa em terrenos sagrados para lá do entendível. Ao contrário, o conceito de indivíduo pode ser repartido em biliões de partes (uma para cada pessoa) e dificilmente encaixado num sistema seja político ou social, é inqualificável por isso não perceptível. Nunca compreendi como se pode sentir amor pela humanidade e ao mesmo tempo repugnar a individualidade, mas este foi um critério muito comum na história da humanidade, principalmente no século passado, tanto nos regimes comunistas com a ideia do bem comum, tanto dos fascistas abafando o indivíduo em nome da pátria e afins. Se olharmos com atenção, a própria declaração dos direitos humanos, é um documento que dificilmente representa todos os indivíduos e as culturas em que se encerem, mas que repousa na ideia ingénua de que todos somos iguais e regidos pelas mesmas leis e valores e isso parece discutível, por muito duro que possa parecer, mesmo a um apoiante dessa declaração. Assume-se então que um conjunto de indivíduos representa o conceito global de humanidade, mas nunca que a humanidade depende da individualidade de cada um. Por outro lado, quando a sociedade valorizou o indivíduo, este elevou-se ao extremo e, empoleirado em torres de marfim, rodeado de ouro, atirou moedas ao ar. Hoje vivemos na democracia, o melhor dos sistemas políticos possíveis, mas ainda assim, num sistema do salve-se quem puder, da ausência de valores comuns, do egocentrismo, da cunha e da corrupção. O indivíduo passa a ser um estado em si mesmo, tirando o que pode e como pode, as leis são cumpridas apenas pelo medo da sanção e a abundância de ouro permanece como a derradeira justiça.

sábado, fevereiro 21, 2009

De que precisam os nossos filhos para serem felizes?

De que precisam os nossos filhos para triunfar na vida? Que instrumentos indispensáveis necessitam para puderem seguir o seu rumo? Estas são as perguntas que mais faço quando olho para a minha filha e suponho que a maior parte dos pais faz. A sociedade actual é competitiva ao extremo, atribuindo à possessão de objectos um valor que extravasa em grande medida o seu real valor. Claro que necessitamos de dinheiro para termos tranquilidade e conforto, mas não competindo uns com os outros como hienas em volta de uma presa, desesperadas por conseguirem o seu pedaço, mas todas de barriga cheia. A crise económica que o mundo atravessa é reflexo dessa ganância de consumo e da vitória sobre os demais, não se pestaneja em calcar o semelhante se isso trouxer dinheiro, não conforto, não tranquilidade, só dinheiro, consumo e estatuto. Individualmente não temos limite na possessão; mais, mais e mais parece ser a palavra de ordem, enquanto outros gritam por um pouco, um pouco, um pouco. Esta competitividade está a ser passada às crianças que irão ter ainda mais dificuldades em impor-se num futuro que se lhes apresenta sombrio. Por isso tentamos dar-lhe as melhores escolas e educação, mesmo que com isso tenhamos de fazer muitos sacrifícios. Estarão elas preparadas para um futuro de abutres? Como se prepara uma criança para um mundo de pesadelos consumistas? Devemos incutir-lhe essa moral da conquista individual ou invés ensinando-os a respeitar os outros como seus iguais, a serem empáticos e solidários? Prefiro claramente a segunda hipótese, parece-me que se o caminho continuar a ser a vitória individual em deterioração da ascensão colectiva, o fim da humanidade espreita ao virar da esquina. O que lhes transmitem no ensino privado? E nas públicas? Que valores lhes incutem nas escolas onde os deixamos todos os dias? O caminho mais duro é o da igualdade que origina por inerência a justiça social, mas é o único possível para uma sociedade futura, solidária e pacífica. De que precisam afinal os nossos filhos para serem felizes?

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Regresso a casa

O problema dos antigos combatentes é antigo e comum a quase todas as nações. Ouvi uma reportagem na T.S.F sobre como eram ignorados os ex-combatentes portugueses quando regressaram ao país depois de lutarem no ultramar, a história é antiga e todos a conhecemos, mas hoje fez-me pensar em todos os soldados que combatem fora do seu país. A ideia de lutar pelo país fora do próprio país, por muito que a tente assimilar, não deixa de soar de maneira estranha, assim, pode-se lutar por interesses do país, mas pelo país em si como nação independente não, isso não é possível a milhares de quilómetros de casa. Depois o facto de um país em guerra, fora das suas fronteiras, ser sempre um país dividido, uma parte da população apoia a guerra, outra repudia-a, e quando a guerra é longa e dolorosa, como foi o caso português, a segunda parte da população acaba por impor a sua moral sobre os que apoiam a guerra, e foi nessa conjuntura adversa à guerra que os soldados portugueses regressaram a casa. No caso de Portugal a situação ainda contém em si a efervescência da revolução, onde não apenas a moral anti-guerra se tinha sobreposto à colonizadora, mas toda a situação política a dar uma volta de 180 graus. Foi neste contexto que os combatentes e as famílias portuguesas das ex-colónias regressaram à pátria; o final não podia ser feliz. Suponhamos agora que os soldados vão em ajuda de um terceiro país como no caso americano na primeira e segunda guerra mundial, nessa perspectiva e quando a situação é moralmente justificada, esses soldados são bem recebidos tanto nos países para onde vão, como ao regressarem ao país de origem; não foi o caso português, nem o dos Estados Unidos no Vietname, nem no caso actual do Iraque onde as mentiras espalhadas aos quatro ventos se sobrepuseram ao acto da libertação. Já no caso do Kuwait e Afeganistão, a situação para os soldados regressados parece pacífica e aceite com tranquilidade pela maior parte, devido à acção de libertação de um povo em vias de ser oprimido no primeiro caso, e a segurança do país de onde os soldados provêm estar ameaçada, assim parece, no segundo caso. Não me quero debruçar sobre os aspectos políticos do conflito e sobre a sua legitimidade legal, mas sim sobre o regresso a casa dos soldados que entram nestes diversos conflitos. Com a mudança de governo nos Estados Unidos, os soldados que agora lutam no Iraque, não podem esperar grandes festejos no seu regresso a não ser que isso signifique o fim da guerra, já que o rumo político foi alterado e dá a entender por meio de sinais mais ou menos evidentes a ilegitimidade da guerra. Mas esses ecos, de uma maneira ou de outra, só vão ser sentidos daqui a algum tempo.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

A banalidade do mal

Quando ontem saí do cinema depois de ter visto “O Leitor”, uma frase martelava-me a cabeça. Kate Winsley no tribunal a ser julgada por crimes contra a humanidade dizia algo como isto: “Eu só fazia o meu trabalho, as mulheres estavam sempre a chegar e não havia lugar para todas, tínhamos de escolher algumas para ir embora”. Esse ir embora significava as suas sentenças de morte, as câmaras de gás. Este sentido de dever obstinado de estar apenas a fazer um trabalho, independente do rolo compressor que é alimentado por ele, é algo que a sociedade actual parece promover, não como é óbvio com o apagamento completo da nossa empatia face aos outros, nem mesmo banalizando o mal, mas mesmo assim demasiadamente impessoal e perigoso, executamos pequenas partes de um todo que muitas vezes não temos ideia onde acaba. É a razão que nos faz humanos, mas é também a razão em limites desproporcionais e levada ao limite lógico, como no holocausto, que alimenta o mal e o enquadra. Adolf Eichmann era um burocrata, tinha ordens explícitas de Hitler para resolver o problema da sobrelotação nos campos de concentração, então, racionalmente, ele executou as ordens, como quem passa uma factura, ou escreve uma carta a pedir material. A suposta inferioridade dos judeus não era o maior argumento para o seu extermínio, mas sim a falta de espaço e de mantimentos que tinha de ser resolvida. Os campos de concentração eram eficientes, como uma máquina produtiva, desumanamente eficientes. Era assim que as pessoas eram tratadas, como mercadorias, onde a dignidade lhes era retirada sobrando apenas o número, tatuado na carne ou impresso em documentos de remessa. Sem equiparações, recordo com este texto uma frase que ouvi no sábado à noite no documentário que passou na RTP2, Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, onde um soldado destacado no Iraque dizia para as câmaras, algo como isto: “Eu pensava que era tipo jogo de computador, carregar em botões e pronto. Nunca imaginei que pudéssemos ver cadáveres de mulheres e crianças a apodrecer nas bermas das estradas. Isto é demais”, será que lhe passou em algum momento pela cabeça concluir com: Não ganho para isto.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

de regresso ao campo

Um passeio depois do almoço.

S. Martinho deixou alguns presentes pelo caminho.

Travessia perigosa.



Haverá melhor maneira de comer uma laranja? Eu fiquei no quentinho junto à salamandra a beber vinho tinto e a comer castanhas.

terça-feira, dezembro 16, 2008

my tender god

A literatura e a música, quando me chegam ao coração, fazem implodir em mim um lampejo de imortalidade vedado por deus a todos os homens.

sábado, maio 10, 2008

Carta a Vila-Matas

Caro Enrique,

Andei muito indeciso nestes últimos tempos, sobre se seria uma boa ideia escrever-te esta carta ou não, mas depois pensei que ficaria extremamente arrependido se não o fizesse. Talvez possamos trocar umas ideias sobre a vida. Quem sabe tenho uma resposta tua? Pouco mais criei do que umas frases coladas no disco duro deste computador e uns post-it com ideias, pelo menos eu julgo que são ideias, espalhados pelas paredes do escritório. A única coisa que tenho a certeza, é a de ser um bom leitor, ou melhor será dizer, um leitor regular. Mas também um dia deves ter sido assim, lutando contra o desejo de escrever e a arte de calar. Hoje em dia vivo nessa aflição, neste contrabalançar que vai da tentativa ao erro, do erro à tentativa. Um dia ganho forças e sento-me em frente à folha em branco, outros dias penso em tudo para não magicar enredos mentais, penso não pensar e deixar a vontade escoar pelo ralo para puder por fim, arte das artes, preguiçar sobre a vida. Mas por muitos trilhos que o comboio percorra, volta sempre à estação de partida e este desejo de juntar palavras tornou-se mais forte do que eu. A verdade caro Enrique, espero que não te pareça presunçoso este meu à vontade, é que sempre escrevi dentro da minha cabeça, histórias mais histórias que são pontas de novelos noutras histórias desenrolando em histórias, como o Escrevedor da Tia Júlia, esse delicioso romance de Vargas-Losa, onde as personagens de vários enredos se misturam na loucura final do fazedor das novelas radiofónicas. Paul Auster escreveu no seu “Da mão para a boca”, que esteve quase a desistir de escrever, até o dia em que assistiu a um bailado e tudo lhe apareceu claro, as palavras, as frases, o enredo, tudo lhe foi revelado no meio de saltos aéreos dos dançarinos e então, só então, as histórias que escrevia mentalmente, puderam por fim ver a luz do dia. O meu conterrâneo Cardoso Pires, dizia que por vezes passava horas a lutar com uma única frase. Estes dois autores parecem-me representar os escritores do SIM, em contraponto aos teus Bartelys. Aliás, o teu "Paris não tem fim", é um bom exemplo de escritores do SIM, e dessa luta desesperante em fazer algum sentido. Lobo Antunes, outro meu nobre conterrâneo, diz que vale sempre a pena ler os clássicos para depois os pudermos plagiar inocentemente (bonito não é?). Como se acaba um romance inacabado ou como se criam personagens credíveis é um assunto sobre o qual nunca teria coragem de te perguntar e duvido mesmo da existência de uma resposta clara, senão a que descobrimos a escrever e a voltar a rescrever. Assim despeço-me, roubando uma frase tua, “Quem sou eu para escrever? E quem são os outros para me lerem?”

Sem mais nem menos,

Nuno Vieira

quinta-feira, abril 24, 2008

Enrique Vila-Matas (segunda parte)

(87) Fui ver a mesa redonda onde Vila-Matas na segunda-feira passada falou e sim, é verdade que fiquei na fila à espera que me autografasse um livro "O mal de Montano". Também é verdade que fiquei um pouco desiludido com a mesa redonda, pouco se falou e Enrique Vila-Matas estava com um ar abatido, pareceu-me muito cansado e talvez por isso pouco expansivo. Não fui à mesa redonda no intuito de conseguir um autógrafo, para dizer a verdade é o primeiro autógrafo que tenho num livro, isso também é normal porque a grande parte dos escritores que gosto estão mortos ou inacessíveis (esta é a excepcção à regra). Em casa tinha idealizado duas perguntas que gostava de ter feito a Enrique Vila-Matas se a mesa se prolongasse e aquece-se o suficiente, a primeira era qual o escritor que conscientemente mais o influenciou e a segunda era, quem é Paula de Parma? A mulher misteriosa, pelo menos até segunda-feira, a quem sempre dedica os livros. Quando chegou a altura de fazer as perguntas eu vacilei perante um auditório repleto de enormidades literárias e calei. Senti que tinha uma nova oportunidade de pelo menos esclarecer a segunda pergunta quando se formou uma pequena fila para autógrafos; não hesitei. Assim fiz a pergunta a Vila-Matas e ele fez-me três. Cómo te llamas? Nuno? Nuno? Descobri assim quem era Paula de Parma e, segundo o próprio me disse, não estava a inventar, isto porque à única pergunta que lhe foi feita durante a mesa, Vila-Matas respondeu dizendo que nem todas as citações que punha nos seus livros, eram totalmente das pessoas que as escreviam, muitas eram alteradas por ele de maneira a fazerem sentido no seu texto. Esta fórmula que usava tinha-lhe dado alguns problemas mas também divertimentos ao longo do tempo. O que eu nunca imaginei, era que Enrique Vila-Matas ia descobrir o meu blog e fazer um comentário. Um pequeno e generoso comentário. Se eu a partir de hoje padecer com o complexo Não, ou mesmo me transformar num móvel, ou até na Companhia de Bartleby de Melville, Vila-Matas é o culpado, um bom culpado.

sexta-feira, abril 18, 2008

O estranho

Entrou na igreja e atravessou o corredor em direcção ao púlpito. Com passadas lentas mas pesadas fez o curto caminho. Depois subiu, os olhos presos no chão, os degraus de veludo vermelho. Parou e espreitou o horizonte como quem espera um autocarro atrasado. O tempo parou por um instante enquanto o estranho pegava ternamente na mão da noiva. O sacerdote deixou cair a bíblia mas não se ouviu o barulho da queda. O noivo tentou erguer a mão que ficou presa no ar. Os convidados, da noiva e do noivo, os acólitos, até gente curiosa que apenas rezava os pecados dos outros, congelou. Mesmo fora da igreja os carros pararam, os trabalhadores pararam com a picareta no ar e até o cão parou com a pata levantada à roda do carro. Todo o mundo tinha congelado num silêncio reverencial. Então o estranho puxou a noiva para junto dele e ambos dançaram uma valsa embalados pelo orgão que se recusou a parar. Depois separaram-se bruscamente e o estranho largou a noiva onde a tinha encontrado, saiu por onde tinha entrado e a cerimónia continuou e o mundo continuou.

sexta-feira, abril 04, 2008

Martin Luther King, Jr.

De vez em quando a humanidade é abençoado por profetas, por verdadeiros Homens que não se guiam por interesses, preconceitos e parecem pairar em cima de todos nós, comuns mortais. Homens que conseguem imaginar a humanidade como uma só, sem brechas nem sofismas. Martin Luther King permanece um exemplo para a Humanidade. O vídeo é um discurso arrebatador, nem acho que vale a pena ver o Homem que o profere, é irrelevante. É o discurso mais sentido, sem cábulas, porque está tudo lá, a luz, a humanidade, a partida e a chegada, nem sequer é preciso ler nas entrelinhas, porque não tem entrelinhas. O futuro da humanidade não pode andar muito longe destas palavras sábias. Os filhos de Martin Luther King, são os meus filhos também. "I have a dream that my four childrens will one day live in a nation (WORLD) where they will not be judge by the color of there skin (BY NO APPEARANCE) but by the content of their character". Faz hoje quarenta anos que um cobarde seco de esperança como um cadáver ao sol, matou Martin Luther King. Aprendemos alguma coisa?

http://youtube.com/watch?v=IWTKZLKWYHE (Não consegui incluir o vídeo e depois de muita luta com o HTML, achei melhor deixar aqui o endereço)

quinta-feira, março 13, 2008

Times They Are A Changing

Já não te falo há muito tempo, nem sei ao certo porque aqui estou novamente contigo. Talvez porque hoje vi um filme, um delicioso filme, apeteceu-me chorar, vi-me a mim mesmo desfeito em lágrimas, mas acho que interiorizei que isso não é coisa de pessoas feitas e gordas. Agora gostava de ter chorado, só para ir contra essa estúpida premissa. Dois anos sem aqui passar. Nesta ausência muitas coisas aconteceram, muitas ficaram por acontecer e muitas desejámos fazer acontecer, mas tu sabes, o ritmo impede devaneios e tudo nos impele ao caminho recto sem sobressaltos, mas como eu adoro curvas, tropeções e todos esses actos egoístas que me fazem cair para depois me puder levantar outra vez. Renascer! Mudar de casa, mudar duas ou três vezes de emprego por ano, saltos mortais em profissões, piruetas no futuro incerto mas sedutor! Vontade de rir, tu já reparaste como nos tentam castrar lançando para o ar palavras gélidas como empreendedor, sucesso, investimento, economia, e impigem todas as sílabas como se tirassem um coelho da cartola? Se insistirmos nisso os chineses arrebentam com tudo, no mais execrável pesadelo da guerra fria, no pior dos dois lados. Mas para que te falo disto tudo? O que eu queria dizer é que hoje é o fim do egoísmo, a minha filha cresceu, devias vê-la a brincar no chão da sala com legos e bonecos azuis. Salta de sofá em sofá com se fosse vento e não me deixa parar. Eu agarro-a quando cai desvairada e respiro sem pensar. Tento não deixá-la muito tempo em frente à televisão, mas o que é que um pai pode fazer?

domingo, fevereiro 10, 2008

Passado um ano

Passado um ano pensei em dar aqui uma saltadinha. Só para cumprimentar velhos amigos. Olá como estão? Este ano foi fértil em mudanças na minha vida, novas músicas, novas leituras, estudos (voltei à escola, quem diria !!!). Para já o que eu gostava era conseguir voltar a escrever aqui com alguma regularidade. Vamos lá ver se consigo. Um abraço e até jazz.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Claro que SIM que claro!

terça-feira, outubro 10, 2006

Diário de viagens fictícias

Esta é uma cidade na foz de um rio escuro e esguio que abriu montanhas em dois à sua passagem, cravou braços nas margens e não parou senão perante o grande e interminável oceano que o acolhe com tumultuosas e indispostas ondas de espuma, apesar dos séculos, o rio será sempre um intruso. Mas se o rio se força no mar, não é menos verdade que a água salgada entra no caudal doce até quase trinta quilómetros no interior da terra quente. De uma colina alta junto à foz, observa-se a cidade a descer, trapalhona, até ao rio, ou melhor será dizer, a subir a partir do rio, porque são as margens, o ponto originário da evolução deste burgo, apesar de ao primeiro contacto visual, parecer que a cidade caíu do alto da montanha até ao rio, numa avalanche de telhas, cimento, janelas empedradas e animais aflitos.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Parabéns eu



Quando a tua morte se entrelaçou no meu nascimento, foi quando mais reparei em ti. Pensei neste dia que desapareceste e eu nasci, fazer-te uma pequena homenagem, nada de esfinges, tu sabes como detesto regressados, só uma coisa simples. Depois pensei que homenagens já tens bastantes e talvez o melhor seja pedir-te, não uma benção, antes uma direcção, um caminho seguro onde a tua voz guie os meus passos através da bruma dos dias, não me deixando impune. Não leves a mal a minha intenção é pura.

sábado, setembro 16, 2006

Arqui-inimigo



O meu arqui-inimigo pensa em coisas que não lembra às mais terriveis mentes. Tem pensamentos dementes e podres de insanidade. O meu arqui-inimigo tem o mesmo nome do que eu mas não sou eu, veste um corpo igual ao meu mas que não é o meu. É o diabo no meu ombro esquerdo, o sangue nas minhas veias. Tem super poderes e usa-os quando me deixo vencer, como a preguiça, a presunção e por vezes atira palavras pela minha boca que não tive sequer tempo de assimilar. O meu arqui-inimigo é forte, mas vou ganhando, às vezes perdendo batalhas, mas contra o amor e a razão, os meus super poderes mais fortes, ele fraqueza e desaparece, para novamente reaparecer. Nunca vou conseguir matá-lo, ele é eu, eu sou ele.

terça-feira, setembro 12, 2006

Parte do que sou...



...anda algures entre estes livros e discos,
esquecido e espalhado nestas estantes,
ou,
finalmente arrumei o meu canto.

segunda-feira, setembro 11, 2006