quinta-feira, março 13, 2008

Times They Are A Changing

Já não te falo há muito tempo, nem sei ao certo porque aqui estou novamente contigo. Talvez porque hoje vi um filme, um delicioso filme, apeteceu-me chorar, vi-me a mim mesmo desfeito em lágrimas, mas acho que interiorizei que isso não é coisa de pessoas feitas e gordas. Agora gostava de ter chorado, só para ir contra essa estúpida premissa. Dois anos sem aqui passar. Nesta ausência muitas coisas aconteceram, muitas ficaram por acontecer e muitas desejámos fazer acontecer, mas tu sabes, o ritmo impede devaneios e tudo nos impele ao caminho recto sem sobressaltos, mas como eu adoro curvas, tropeções e todos esses actos egoístas que me fazem cair para depois me puder levantar outra vez. Renascer! Mudar de casa, mudar duas ou três vezes de emprego por ano, saltos mortais em profissões, piruetas no futuro incerto mas sedutor! Vontade de rir, tu já reparaste como nos tentam castrar lançando para o ar palavras gélidas como empreendedor, sucesso, investimento, economia, e impigem todas as sílabas como se tirassem um coelho da cartola? Se insistirmos nisso os chineses arrebentam com tudo, no mais execrável pesadelo da guerra fria, no pior dos dois lados. Mas para que te falo disto tudo? O que eu queria dizer é que hoje é o fim do egoísmo, a minha filha cresceu, devias vê-la a brincar no chão da sala com legos e bonecos azuis. Salta de sofá em sofá com se fosse vento e não me deixa parar. Eu agarro-a quando cai desvairada e respiro sem pensar. Tento não deixá-la muito tempo em frente à televisão, mas o que é que um pai pode fazer?

1 comentário:

Claudette Guevara disse...

:D

E essa miúda já deve ser grande. Acho que a última foto, aqui, ela tinha 5 meses.

Benvindo às lides bloguísticas, de novo!