segunda-feira, novembro 28, 2005

inverno

chovia chuva fria quando prendi o cão à trela e caminhei de abas levantadas e passadas comprida, rosnei ao bicho para se despachar nos cheiros e a fugir da água do céu, vi-o ao fundo, assim, sentado na pedra húmida do parque de estacionamento embargado onde dezenas de jornais voavam à sua volta subindo e descendo em concavas espirais, subindo e descendo arrumou o cobertor debaixo das árvores e aconchegou jornais velhos junto ao corpo que tinha nos olhos a cor da geada e as mãos duras e invernosas o cão ladrou à chuva, um candeeiro intermitente lançou suspiros de luz à cidade