segunda-feira, agosto 29, 2005

O palácio (Work In Progress) 2

Vou seguir o método, imagine-se a presunção, de Gabriel Garcia Marquez, que diz no seu "Viver para contá-la", que nunca passa de parágrafo antes de ter a certeza que o que fechou está cem por cento como ele quer. Então depois de ver o que tinha escrito ontem, resolvi dar uns ajustes e com as alterações ficou assim.
"O Palácio, foi comprado por uma pechincha, estava velho, o telhado desfazia-se fruto de anos de intempéries, as paredes bamboleavam ao sabor dos camiões que atravessavam a rua e pedras seculares desmaiavam pelos cantos das salas mais obscuras, mas a zona onde estava situado, a enormidade e beleza do edifício, fez dele um negócio apetecível que os tubarões da companhia imobiliária, sempre despertos, não deixaram passar; só a fachada restaria do palácio e falou-se em condomínio fechado com garagens individuais e piscina. Este episódio tinha ocorrido há quase três anos, escritura, papéis assinados, licença de obras, tudo arrastado até ao início da reconstrução que começou há uma semana com uma limpeza interior. Contratou-se uma empresa para retirar entulho, arrebentar soalhos, raspar paredes, arrastar móveis e começar desde já a deitar abaixo algumas paredes que não implicassem a sustentabilidade do edifício. Tudo corria bem até os trabalhadores contratados se começarem a queixar dos exércitos de pulgas aranhas ratos e sabe-se-lá-que-mais-bichos que lhes trepavam pelas pernas e se infiltravam na roupa interior, causando comichões vermelhões irritações, obrigando-os a despirem-se cinco vezes por dia na procura dos repugnantes intrusos nas cuecas meias e virilhas. Contactou-se uma empresa de desinfecção e eu fui a pessoa encarregada de abrir as colossais portas de dois metros e meio em madeira maciça, já que por esta altura o pessoal da empresa contratada se recusava, alegando saúde pública e privada, a por lá os pés até a situação estar controlada.”
Vou deixá-lo em banho maria e se amanhã o início ainda me satisfizer, sigo em frente sem mais demoras.

5 comentários:

Bárbara Vale-Frias disse...

Eu também gostava de ser assim... às vezes, e apesar de rever muito os meus textos, só depois de os postar é que me surgem ideias de melhoramento!

É claro que, com os livros impressos em papel, isso seria impossível, mas aqui na blogosfera, já tenho feito muitas alterações... até nos títulos!

Bjs :)

Nuno Vieira disse...

Um texto nunca está fechado, é sempre possível rever mais um pouco. Agora saber quando está no "ponto" é sem dúvida o mais o difícil.

:)

JOSE MANUEL CARVALHO disse...

É engraçado, eu opero ao contrário. Também reescrevo vezes sem conta (afinal, sou balança), mas no meu caso costuma resultar ao contrário, fica cada vez mais leve, mais simples. O jogo é esse mesmo, tentar com menos palavras exprimir mais do que antes.
Deixar espaço livre, para o que jorra na cabeça dos outros.

Nuno Vieira disse...

eu é o contrário como podes ver...mas sempre que rescrevo novas ideias aparecem e eu aproveito.

Toninho disse...

Então Cokas?
Donde moras?
Tou contigo!
Dá-me uma chance?!