Quando o treinador do Porto diz na conferência de imprensa antes do jogo com o Artmedia, que o Porto vai jogar à Porto, vê-se claramente que não entende o significado jogar à Porto. O F.C.Porto, e desde que a minha memória me consegue transportar, sempre foi uma equipa de sangue, suor e lágrimas. Não estamos habituados a vitórias morais, a jogar melhor do que o adversário e perder, em Portugal essa forma de estar pertence ao Sporting.
Todos os treinadores de sucesso no Porto que vão desde o Pedroto, Artur Jorge, Fernando Santos e acabando no Mourinho, formaram grandes equipas que sempre começaram de trás: Geraldão, Celso, Lima Pereira, Fernando Couto, Jorge Andrade, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, são exemplos de centrais que fizerem parte das grandes equipas do Porto. Rodolfo, André, Jaime Pacheco, Paulinho Santos e Costinha são exemplos de trincos que deixavam tudo em campo, num esforço de dragão que empolgava as bancadas das Antas. Este sempre foi o segredo do Porto para conseguir ombrear com as equipas de Lisboa, a dedicação e o esforço que em alturas se confunde com o granito da cidade.
O Porto joga hoje à Barcelona de Cruyft e Van Gaal, mármore polido, o que devo dizer é o futebol mais bonito que até hoje vi. Não tenho dúvidas que o Porto vai ganhar o campeonato português, porque o plantel é o melhor a nível nacional e as equipas portuguesas defendem atrás do meio campo e sempre de olho no ponto, que se torna muito difícil arrancar, devido ao fluxo de ataques e oportunidades que o Porto cria.