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segunda-feira, dezembro 08, 2008

10 livros de 2008

Balanço literário do ano de 2008:

1 - "A estrada" - Cormac McCarthy (Relógio D'Água)
2 - "Na minha morte" - William Faulkner (Dom Quixote)
3 - "Indignaçao" - Philip Roth (Dom Quixote)
4 - "Discurso do método" - René Descartes (Edições 70)
5 - "Os imigrantes" - W.G. Sebald (Teorema)
6 - "O mal de Montano" - Enrique Vila-Matas (Teorema)
7 - " O Ouro" - Blaise Cendrars (Assírio & Alvim)
8 - "Que quer dizer tudo isto? - Uma iniciação à Filosofia" - Thomas Nagel (Gradiva)
9 - "Sputnik, meu amor" - Haruki Murakami (Casa das letras)
10- "Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens" - J.J.Rousseau (Europa-América)

segunda-feira, setembro 01, 2008

Teorema Versus Nick Hornby



O que se passa com a Teorema e as traduções dos livros de Nick Hornby? Já em 2005 (http://buraconaparede.blogspot.com/2005_05_05_archive.html), detectei erros ortográficos, ou melhor, faltas de atenção imperdoáveis no livro "Alta Fidelidade" deste autor. Agora foi com "Um grande Salto".

"Mas lhe podes dar o número do meu telemóvel" - pág.129
"...porque nenhum dos outros percebia nada de do assunto." - pág.196
"...dois deles a sussurrarem anedotas portas..." - pág.215
"...que gere uma empresa multinacional às noite..." - pág.223
"Não gostastes que eu dissesse que eu era teu pai..." (frase sem sentido no contexto) - pág.225
"...e eu tinha de o ajudar a na leitura." - pág.324

domingo, março 30, 2008

Blaise Cendrars, Aventureiro e Escritor

Lendo o "Os livros da minha vida" de Henry Miller, encontrei da parte do escritor, uma grande e incondicional admiração por Blaise Cendrars de quem nunca tinha ouvido falar. Como sou um grande admirador da obra de Miller, fui à procura de Blaise Cendrars. Já sabia muito sobre este autor depois de ler as trinta páginas que Miller lhe dedica em "Os livros...", mas precisava de confirmar lendo a obra. Comprei "O Ouro", publicado pela Assírio & Alvim, com tradução de António Mega Ferreira, e que escreve assim no prefácio de quem também é autor: "O que fascinava Cendrars na história de Johann August Suter não era de ordem diferente daquilo que pode fascinar o mais comum dos mortais: como, por um golpe de vontade, se constrói uma fortuna; e como, por um golpe de azar, se perde a fortuna, por causa de uma fortuna ainda maior. Em meia dúzia de anos, Suter, o homem que atravessara a pé a fronteira entre a Suiça e a França, crivado de dívidas e fugido aos credores, cruzou o continente americano e ancorou na Califórnia, em vastos territórios inexpugnáveis, que, com sentido de organização e disciplina, começou a colonizar. Enriqueceu num instante, o tempo que leva Cendrars a escrever duas ou três páginas." Miller fala assim das personagens de Cendrars: "...é raro vermo-lo emitir julgamentos em relação aos outros. O que se nos depara é que, ao pôr a nu as fraquezas ou as faltas das suas personagens, ele está a revelar, ou a esforçar-se por revelar, a sua natureza heróica essencial. Todas as diferentes figuras - humanas, todas elas demasiadamente humanas - que povoam os seus livros são glorificadas no seu ser básico, intrínseco." Espero ter-vos aberto a curiosidade, eu por mim li o "O Ouro" numa noite de insónias, ontem, como era costume acontecer a Cendrars.

sábado, março 15, 2008

Sam Shepard

Foi em 1943 que Sam Shepard nasceu. O seu pai era piloto da força aérea e os anos em que passou perseguindo o pai de base para base causaram-lhe forte impressão, senão os temas para as suas primeiras peças dramáticas: "Eu sinto que nunca tive uma casa, compreendem? Sinto-me ligado a este pais, mas nunca sei exactamente onde pertenço...Existe sempre este nostalgia por um lugar, um lugar onde consiga encontrar-me comigo mesmo."
Estes dados biográficos de Sam Shepard, retirados de http://www.todayinliterature.com/biography/sam.shepard.asp#top, são exactamente as sensações que retiro quando leio as suas peças ou os seus contos, uma permanente procura de algo que teima em nunca chegar, as corridas infernais, mesmo dentro de um pequeno espaço, nas peças de teatro, ou em planícies a perder de vista, com rancheiros, cowboys e gente deslocada no espaço e no tempo, como primordialmente acontece nos seus contos, são fruto desta ausência de sentido de pertença muito vincado na obra de Shepard. Para quem quiser conhecer um pouco da obra deste autor sugiro estas obras.
Crónicas Americanas (Motel Chronicles), da Difel, revela o mundo vertiginoso e por vezes surpreendente do homem, por detrás das peças que tornaram Sam Shepard uma lenda viva do teatro contemporâneo. Shepard escreve neste livro pequenas crónicas autobiográficas – o nascimento em Illinois, memórias da infância na base militar de Guam, em Pasadena e na Califórnia do Sul, as suas aventuras como rancheiro, criado de mesa, músico de rock, dramaturgo e actor de cinema.Muitos temas deste livro estão na base da peça Superstitions e de Paris, Texas, o filme de Wim Wenders de cujo argumento é autor e que, em 1984, recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes.
Loucos por Amor (Fool For Love), da Relógio D'Água é uma peça teatral que contém algumas das histórias mais intensas e comoventes que Sam Shepard escreveu. Shepard cria dois personagens, May e Eddie, enredados na força de um desejo que não pode ser satisfeito.

sexta-feira, março 14, 2008

Raymond Carver


Raymond Carver nasceu em 1938, no seio de uma família muito pobre. Empregou-se numa serração de madeira e, aos 19 anos, casou. Para sustentar a família foi porteiro de um hospital, vendedor de enciclopédias, motorista de pesados, empregado numa bomba de gasolina, etc.., conseguindo, porém, tempo para frequentar um curso de "escrita criativa". Após vários dramas provocados pelo seu alcoolismo, a mulher deixou-o definitivamente em 1977. Conheceu a poetisa Tess Galagher, com quem partilhou os últimos onze anos da sua vida. "Queres fazer o favor de te calares?" (Teorema, 1989), "De que falamos quando falamos de Amor" (Teorema, 1987) e "Catedral" (Teorema, 1983), são os livros de contos mais conhecidos entre nós. Infelizmente, já não conseguiu vir a Lisboa, onde o esperávamos em Outubro de 1988. A morte prematura, em consequência de um cancro, levou-o a 2 de Agosto de 1988.

Um dos contistas norte-americanos que realmente me ficou na alma. Muitas passagens dos seus textos aparecem na minha cabeça sem serem convidados e em ocasiões estranhas e inoportunas. Raymond Carver não é fácil, pelo contrário é chato, é provocante, é intrigante mas quem quiser ler para não ficar como estava, os contos de Raymond Carver contém a promessa de não deixar ninguém emocionalmente ileso.

segunda-feira, maio 01, 2006

Leituras 10


"O que teria acontecido nos EUA e no mundo se o célebre aviador de ideias anti-semitas, Charles Lindbergh, se tivesse apresentado às eleições em 1940 e tivesse derrotado Franklin Roosevelt?"

O livro é muito bom, todos os Philip Roth são aliás muito bons. Apesar de não ser um romance como "A Mancha Humana", inteiramente centrado em questões individuais, "A Conspiração" é sobretudo um livro sobre a comunidade judaica nos EUA antes da segunda grande guerra. O narrador é o filho mais novo de uma família judaica que encarna a comunidade em todas as facetas.
Apesar da ficção, notei ainda a omissão a todas as outras raças dos EUA que foram, com ou sem Lindbergh, oprimidas nesses anos.

segunda-feira, março 06, 2006

Vian



Foi ele que me agarrou nos cabelos, atirou a minha cabeça para a parede, resgatou o meu corpo da preguiça nostálgica, quando tudo que queria era descansar por um minuto.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Leituras 9


Comprei este livro por ser o terceiro ou segundo melhor classificado numa edição que o Mil Folhas fez, onde convidou vários escritores a elegerem o melhor livro que leram em 2005. Não estou nada arrependido o livro é belo e cheio de humor. É a história de um aspirante a escritor ou exilado cultural espanhol que vive num sotão em Paris, alugado por Marguerite Duras. Recomendo a leitura de Paris É Uma Festa de Hemingway para melhor se absorver na atmosfera deste livro.

domingo, dezembro 04, 2005

Leituras 8



Quando eu for conhecido por deter o record no guiness de comer mais páginas do dicionário alemão/russo enquanto desço e subo as escadas da torre dos clérigos montado num triciclo e um jornalista me perguntar: Quais foram os melhores livros que leu? Eu vou responder, entre mais alguns: "A Luz de Agosto". Por outro lado, ando a tentar ler "O Som e a Fúria", do mesmo autor, há dez anos.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Harold Pinter

"Não consigo resumir nenhuma das minhas peças. Não consigo descrever nenhuma. O que sei é dizer: foi assim que se passou, foi isto o que disseram, isto o que fizeram."
Harold Pinter
É um dos meus dramaturgos contemporâneos predilectos juntamente com Beckett e Israel Horovitz, fiquei pois contente por lhe ser atribuído o Nobel da Literatura. Existe um livro da Relógio D'Água com peças traduzidas, editado em parceria (penso estar a dizer a verdade), com os Artistas Unidos, que encenaram grande parte das sua obras em Portugal, aliás, Jorge Silva Melo, director dos Artistas Unidos (diga-se em abono da verdade o grande divulgador do obra de Pinter neste jardim), comprou os direitos de todas as suas obras para Portugal. O livro tem sete peças escritas entre 1957-1964, que são: O Quarto; Feliz Aniversário; O Serviço; O Encarregado; A Colecção; O Amante; Regresso a Casa. Vale a pena ler, sinto no ar reposições, já que encenado só em Lisboa.

terça-feira, setembro 13, 2005

Leituras 6 (Os meus Prémios Nobel)



Escolhi o que tem a capa mais bonita e o último que li. Podia ser “O chão que ela pisa”, o que mais gostei, ou “A Fúria”, o que mais me surpreendeu. Cada livro de Salman Rushdie é uma viagem aos entrocamentos da condição humana e abrir a primeira página de um livro seu, é iniciar uma viagem que não sabemos onde vai terminar; talvez nunca termine dentro dos leitores. Um mestre das palavras, um encantador de serpentes.

sábado, agosto 13, 2005

Leituras 5



Foi uma coincidência devo admitir, embora depois de ler os oito contos deste “O Buraco na Parede”, me custe esse facto, porque podia ser uma homenagem e se assim fosse, só o meu blog ficaria a ganhar. Mas a verdade é que a única coisa que sabia de Rubem Fonseca, era que tinha sido galardoando com o Prémio Camões em 2003, mas ainda não tinha sentido curiosidade para o procurar. Assim, esta singela coincidência de nomes, fez-me encontrar um autor que merece que os leitores menos atentos, como eu, o encontrem.

domingo, junho 26, 2005

Leituras 2


"Para Nelson Rodrigues, a verdade do futebol estava além do que os olhos podiam ver. Se o videotape não mostrava a sua verdade dos factos, pior para os factos, ou o videotape era burro"