sexta-feira, novembro 28, 2008

Cormac McCarthy



Fiquei a conhecer Cormac McCarhy atráves do filme dos irmãos Coeh "Este pais não é para velhos", de quem é autor do livro que lhe deu origem. Fiz umas pesquisas e cheguei até ao último livro "The Road". Sentado no sofá, li o livro muito rapidamente e sempre em estado de alerta constante. É uma viagem tenebrosa por aquela estrada, mas é uma viagem feita de um grande Amor que sobrevive apenas com o seu próprio fogo. Não é uma leitura fácil, é árido e por vezes brutalmente carnal, mostra a perversidade humana no seu estado mais animal, mas acaba com a esperança que guia o livro desde a primeira página. Nunca perdoaria o autor se o final não fosse como é, perfeito. O livro é muita coisa, mas acima de tudo é uma grande e belissíma metáfora à paternidade e aos dias que correm onde nada nos parece seguro e garantido. É a viagem do compromisso ao Amor, sem contrapartidas, que todos fazemos com os nossos pais que mais tarde vão ser os nossos filhos.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Insultos com Classe

”I am enclosing two tickets to the first night of my new play; bring a friend…. if you have one.” - George Bernard Shaw to Winston Churchill
”Cannot possibly attend first night, will attend second… if there is one.” - Winston Churchill, in response.
”He has never been known to use a word that might send a reader to the dictionary.” - William Faulkner (about Ernest Hemingway).
”Poor Faulkner. Does he really think big emotions come from big words?” - Ernest Hemingway (about William Faulkner)
Mais insultos cheios de classe, aqui:

quarta-feira, novembro 05, 2008

YES WE CAN

Depois da noite passada o futuro da humanidade não me parece tão sombrio. Grande caminhada já fizemos juntos.

sexta-feira, outubro 24, 2008

No Shit!

O antigo presidente da Reserva Federal norte-americana Alan Greenspan reconheceu ontem, numa audição no Congresso, que falhou na regulação do sistema financeiro. "Cometi um erro ao confiar que o livre mercado pode regular-se a si próprio sem a supervisão da administração", afirmou o homem que esteve 18 anos ao comando da Fed. (in público.pt).
NO SHIT!!!

sexta-feira, outubro 03, 2008

The Byrds - Turn, Turn, Turn (1965)

Uma das melhores canções pop escritas até hoje. Há 43 anos esta música estava no nr. 1 do top Billboard. Muito bom!

quarta-feira, setembro 10, 2008

The Future Is Unwritten


Um tocante documentário sobre Joe Strummer (1952-2002), antes, durante e depois dos Clash. O documentário é realizado por Julien Temple, vizinho do músico. Vários amigos de Joe sentam-se à volta de uma fogueira para falar, rir, chorar e recordar o músico, mas principalmente o homem. Arquivos das actuações dos Clash são deliciosos. Para recordar.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Teorema Versus Nick Hornby



O que se passa com a Teorema e as traduções dos livros de Nick Hornby? Já em 2005 (http://buraconaparede.blogspot.com/2005_05_05_archive.html), detectei erros ortográficos, ou melhor, faltas de atenção imperdoáveis no livro "Alta Fidelidade" deste autor. Agora foi com "Um grande Salto".

"Mas lhe podes dar o número do meu telemóvel" - pág.129
"...porque nenhum dos outros percebia nada de do assunto." - pág.196
"...dois deles a sussurrarem anedotas portas..." - pág.215
"...que gere uma empresa multinacional às noite..." - pág.223
"Não gostastes que eu dissesse que eu era teu pai..." (frase sem sentido no contexto) - pág.225
"...e eu tinha de o ajudar a na leitura." - pág.324

quinta-feira, agosto 07, 2008

O primeiro já está...venha o segundo.

Voltei aos estudos e depois do primeiro ano de Filosofia até estou orgulhoso (já há mais de dez anos que não me sentava numa sala de aulas). Média de 13,5, bem bom para quem trabalha em simultâneo. Aqui ficam as notas para o meu umbigo, em jeito de diário gráfico e para mais tarde recordar. Já agora, e antes que alguém pergunte: "Para que andas a estudar Filosofia?". A resposta está na ponta da língua e não podia ser mais óbvia: "Para ficar rico, claro!".

1º Semestre

Filosofia Antiga I - 15 ; Filosofia do Conhecimento I - 14 ; Filosofia e Ciência Política I - 13 ; Lógica I - 10 ; Metodologia da Investigação - 14

2º Semestre

Filosofia Antiga II - 15 ; Filosofia do Conhecimento II - 13 ; Filosofia e Ciência Política II - 15 ; Lógica II - 11 ; Problemática da Filosofia e da História da Filosofia - 15

sábado, julho 12, 2008

Rage Against The Machine

Estas maratonas de um dia Porto-Lisboa-Porto começam a pesar cada vez mais, mas na Quinta-feira valeu bem a pena. Vi MGMT, Gogol Bordelo, The Hives e a cereja em cima do bolo, Rage Against The Machine. Esta entrada em palco mostra a componente política dos Rage, falaram de Saramango e enquanto se esperava pelo encore...a Internacional Socialista. Political Song em carne e osso, como ela tem de ser! No fim a fila para o McDonalds tinha quilómetros...

sexta-feira, junho 13, 2008

Scarlett Johansson


Anywhere I Lay My Head, um disco de versões desta menina do cinema, musa de Woddy Allen e não só dele, permitam-me dizer. A voz faz lembrar Nico dos Velvet, naquele timbre de menina arrependida e inocente, bbbbbbbbbbrrrrrrr, arrepio na espinha. Para ouvir vezes sem fim enquanto estudo as lutas entre Platão e Protágoras. As canções são de Tom Waits, com novos e muito bem conseguidos arranjos, além disso a rapariga não fica mal na fotografia, ai não fica não.


boomp3.com

quinta-feira, maio 15, 2008

quarta-feira, maio 14, 2008

terça-feira, maio 13, 2008

Heraclito, séc. VI a.c

"Heraclito diz algures que tudo está em mudança e nada permanece parado, e, comparando o que existe à corrente de um rio, diz que não se poderia penetrar duas vezes no mesmo rio."
"A verdadeira constituição das coisas gosta de ocultar-se."
"Esta ordem do mundo (a mesma de todas), não a criou nenhum dos deuses, nem dos homens, mas sempre foi e é e será: um fogo sempre vivo, que se acende com medida e com medida se extingue."
"Não é possível descobrir os limites da alma, mesmo percorrendo todos os caminhos: tão profunda medida ela tem."
Fragmentos de Heraclito retirados de "Os filósofos pré-socráticos", Kirk e Raven

sábado, maio 10, 2008

Carta a Vila-Matas

Caro Enrique,

Andei muito indeciso nestes últimos tempos, sobre se seria uma boa ideia escrever-te esta carta ou não, mas depois pensei que ficaria extremamente arrependido se não o fizesse. Talvez possamos trocar umas ideias sobre a vida. Quem sabe tenho uma resposta tua? Pouco mais criei do que umas frases coladas no disco duro deste computador e uns post-it com ideias, pelo menos eu julgo que são ideias, espalhados pelas paredes do escritório. A única coisa que tenho a certeza, é a de ser um bom leitor, ou melhor será dizer, um leitor regular. Mas também um dia deves ter sido assim, lutando contra o desejo de escrever e a arte de calar. Hoje em dia vivo nessa aflição, neste contrabalançar que vai da tentativa ao erro, do erro à tentativa. Um dia ganho forças e sento-me em frente à folha em branco, outros dias penso em tudo para não magicar enredos mentais, penso não pensar e deixar a vontade escoar pelo ralo para puder por fim, arte das artes, preguiçar sobre a vida. Mas por muitos trilhos que o comboio percorra, volta sempre à estação de partida e este desejo de juntar palavras tornou-se mais forte do que eu. A verdade caro Enrique, espero que não te pareça presunçoso este meu à vontade, é que sempre escrevi dentro da minha cabeça, histórias mais histórias que são pontas de novelos noutras histórias desenrolando em histórias, como o Escrevedor da Tia Júlia, esse delicioso romance de Vargas-Losa, onde as personagens de vários enredos se misturam na loucura final do fazedor das novelas radiofónicas. Paul Auster escreveu no seu “Da mão para a boca”, que esteve quase a desistir de escrever, até o dia em que assistiu a um bailado e tudo lhe apareceu claro, as palavras, as frases, o enredo, tudo lhe foi revelado no meio de saltos aéreos dos dançarinos e então, só então, as histórias que escrevia mentalmente, puderam por fim ver a luz do dia. O meu conterrâneo Cardoso Pires, dizia que por vezes passava horas a lutar com uma única frase. Estes dois autores parecem-me representar os escritores do SIM, em contraponto aos teus Bartelys. Aliás, o teu "Paris não tem fim", é um bom exemplo de escritores do SIM, e dessa luta desesperante em fazer algum sentido. Lobo Antunes, outro meu nobre conterrâneo, diz que vale sempre a pena ler os clássicos para depois os pudermos plagiar inocentemente (bonito não é?). Como se acaba um romance inacabado ou como se criam personagens credíveis é um assunto sobre o qual nunca teria coragem de te perguntar e duvido mesmo da existência de uma resposta clara, senão a que descobrimos a escrever e a voltar a rescrever. Assim despeço-me, roubando uma frase tua, “Quem sou eu para escrever? E quem são os outros para me lerem?”

Sem mais nem menos,

Nuno Vieira

quarta-feira, maio 07, 2008

Vladimir Nobokov

" - Não pergunto por curiosidade - disse Cincinnatus. - É verdade que os cobardes estão sempre com perguntas. Mas garanto-lhe... Embora não consiga controlar os arrepios e o resto, isso não quer dizer nada. Um cavaleiro não é responsável pelas tremuras do seu cavalo. Quero saber porquê pela seguinte razão: a compensação de uma sentença de morte é o conhecimento da hora exacta em que se morre. É um luxo enorme, mas é um luxo que foi bem ganho. No entanto, deixam-me nesta ignorância, que é tolerável apenas para os que vivem em liberdade."
Uma citação que de um livro de Vladimir Nobokov chamado: "Convite para uma decapitação". Li o "Lolita" ainda na minha adolescência e foi um livro que me marcou, não só pelo conteúdo da narrativa mas pelo essencial da sua forma. Este "Convite para uma decapitação", tem um enredo bastante Kafkaniano, ao jeito do "Processo" ou de "América", mas como Nabokov diz no prefácio: "... eu não sabia alemão, que era completamente ignorante da literatura alemã moderna e não lera ainda nenhuma das traduções francesas ou inglesas das obras de Kafka." Nós acreditamos que Nabokov nada fica a dever a ninguém nas suas verdadeiras emoções, mas a curiosidade mantêm-se; como é possível dentro do mesmo período do tempo dois escritores, um russo, outro checoslovaco terem a mesma sensação claustrofóbica do mundo, esta sensação mesquinha de impotência e passividade exasperantes? Depois de pensar um pouco decidi que essa sensação provém do facto de serem ambos seres humanos.

sábado, abril 26, 2008

Click

Uma dedicatória especial para as fotos de Ewolman, que por vezes me fazem ligar o computador, mesmo quando chego tarde e cansado a casa. São de uma urbanidade visceral e só possível numa metrópole como Nova York.

Ewolman-Brooklyn, New York

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril Sempre


Era muito pequeno, tinha dois anitos. Lembro-me de festejar o 1 de Maio com os meus pais na Avenida da Liberdade, no ano em que tudo correu mal e a polícia agrediu jovens e velhos. Ouvi contar as manobras que o meu pai fez para não ir para ultramar lutar por uma guerra em que não acreditava. Por pouco não sou Francês de Paris de França. Tudo se resolveu e o meu pai lá seguiu para os açores onde salvo erro penou dois ou três anos. A alegria era finalmente gritada pelas ruas. Nunca a recordação do 25 de ABRIL foi tão necessária como agora, quando nos obrigam a concordar com Tratados Europeus e etc e tal, que não sabemos bem o que são. Quando nos impigem uma teoria de educação podre e minada do salve quem puder, alunos incluídos, uma precariedade no trabalho, a subjugação, a denúncia etc e tal. A liberdade é o que faz de nós homens e temos obrigação de a exigir. NÃO ME OBRIGEM A VIR PARA A RUA GRITAR!



REPREENSÃO

Depois de fuzilado
ao levar
o tiro na nuca pra acabar
chateou-se
e viu-se obrigado
a explicar
ao major
que comandava o pelotão
que o tinha fuzilado
por favor
preste atenção
e não me obrigue a repetir
a repreensão
na próxima vez
que mandar matar
dê tempo ao morto
pra gritar
convicto
um último viva a revolução.

"Contos do Gin-Tonic", Mário-Henrique Leiria

quinta-feira, abril 24, 2008

Enrique Vila-Matas (segunda parte)

(87) Fui ver a mesa redonda onde Vila-Matas na segunda-feira passada falou e sim, é verdade que fiquei na fila à espera que me autografasse um livro "O mal de Montano". Também é verdade que fiquei um pouco desiludido com a mesa redonda, pouco se falou e Enrique Vila-Matas estava com um ar abatido, pareceu-me muito cansado e talvez por isso pouco expansivo. Não fui à mesa redonda no intuito de conseguir um autógrafo, para dizer a verdade é o primeiro autógrafo que tenho num livro, isso também é normal porque a grande parte dos escritores que gosto estão mortos ou inacessíveis (esta é a excepcção à regra). Em casa tinha idealizado duas perguntas que gostava de ter feito a Enrique Vila-Matas se a mesa se prolongasse e aquece-se o suficiente, a primeira era qual o escritor que conscientemente mais o influenciou e a segunda era, quem é Paula de Parma? A mulher misteriosa, pelo menos até segunda-feira, a quem sempre dedica os livros. Quando chegou a altura de fazer as perguntas eu vacilei perante um auditório repleto de enormidades literárias e calei. Senti que tinha uma nova oportunidade de pelo menos esclarecer a segunda pergunta quando se formou uma pequena fila para autógrafos; não hesitei. Assim fiz a pergunta a Vila-Matas e ele fez-me três. Cómo te llamas? Nuno? Nuno? Descobri assim quem era Paula de Parma e, segundo o próprio me disse, não estava a inventar, isto porque à única pergunta que lhe foi feita durante a mesa, Vila-Matas respondeu dizendo que nem todas as citações que punha nos seus livros, eram totalmente das pessoas que as escreviam, muitas eram alteradas por ele de maneira a fazerem sentido no seu texto. Esta fórmula que usava tinha-lhe dado alguns problemas mas também divertimentos ao longo do tempo. O que eu nunca imaginei, era que Enrique Vila-Matas ia descobrir o meu blog e fazer um comentário. Um pequeno e generoso comentário. Se eu a partir de hoje padecer com o complexo Não, ou mesmo me transformar num móvel, ou até na Companhia de Bartleby de Melville, Vila-Matas é o culpado, um bom culpado.

domingo, abril 20, 2008

Enrique Vila-Matas

Em Chromos, com palavras parecidas às de Hoffmannsthal no seu emblemático texto do Não, a Carta de Lord Chandos (onde este renuncia à escrita porque diz que perdeu toda a faculdade de pensar ou de falar coerentemente de qualquer coisa), Felipe Alfau explica da seguinte forma a sua renúncia a continuar a escrever: "Quando se aprende inglês começam as complicações. Por muito que se tente, chega-se sempre a esta conclusão. Isto pode aplicar-se a toda a gente, aos que falam por nascimento, mas sobretudo aos latinos, espanhóis incluídos. Manifesta-se ao tornar-nos sensíveis a implicações e complexidades nas quais nunca tínhamos reparado, fazendo-se suportar o acosso da filosofia que, de qualquer modo, se intromete em tudo e, no caso dos latinos, os faz perder uma das suas características raciais: o deixar as coisas em paz, sem indignar as causas, motivos ou fins, sem intrometer-se indiscretamente em questões que não são da sua incumbência e os tornam não só inseguros mas também conscientes de assuntos que não lhes interessaram até então"

Uma citação de uma citação enigmática de um livro que ando por estes dias a ler chamado: Bartleby & Companhia do divertido e muito imaginativo escritor catalão Enrique Vila-Matas. Este escritor vai estar em Matosinhos (Galeria Municipal) na próxima Segunda-feira (dia 21) para apresentação de um novo livro e uma conferência acompanhado por Nuno Judice, José Riço Direitinho, Teresa Loo (escritora holandesa). A moderação da mesa fica a cargo de Laurinda Alves (já lhe perdoei aquilo do aborto!). Às 18h00 para quem se interessar por estas coisas que pouco interessam a ninguém. Fica aqui o link para o programa: Literatura em Viagem.

sexta-feira, abril 18, 2008

O estranho

Entrou na igreja e atravessou o corredor em direcção ao púlpito. Com passadas lentas mas pesadas fez o curto caminho. Depois subiu, os olhos presos no chão, os degraus de veludo vermelho. Parou e espreitou o horizonte como quem espera um autocarro atrasado. O tempo parou por um instante enquanto o estranho pegava ternamente na mão da noiva. O sacerdote deixou cair a bíblia mas não se ouviu o barulho da queda. O noivo tentou erguer a mão que ficou presa no ar. Os convidados, da noiva e do noivo, os acólitos, até gente curiosa que apenas rezava os pecados dos outros, congelou. Mesmo fora da igreja os carros pararam, os trabalhadores pararam com a picareta no ar e até o cão parou com a pata levantada à roda do carro. Todo o mundo tinha congelado num silêncio reverencial. Então o estranho puxou a noiva para junto dele e ambos dançaram uma valsa embalados pelo orgão que se recusou a parar. Depois separaram-se bruscamente e o estranho largou a noiva onde a tinha encontrado, saiu por onde tinha entrado e a cerimónia continuou e o mundo continuou.